Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 30/06/2018

Com a ajuda do trabalho de grupos de defesa às mulheres e o próprio discurso destas em sua causa, os atos determinantes do assédio sexual puderam ficar esclarecidos e passaram a incluir, não só o físico, mas os ataques moral e psicológico como partes deste crime. No entanto, apesar dos avanços da luta do ainda considerado por muitos o “sexo frágil”, tais agressões persistem na sociedade. Diante disso, valida-se a discussão acerca do assédio sexual como marcado por um viés histórico-cultural, acarretando num estado contínuo de desrespeito à fração social feminina.

Em primeira análise, a questão histórico-cultural do assédio ao gênero feminino, na sociedade, é uma das principais causas que dificultam a erradicação desta forma de violência. Nesse cenário, em território nacional, o desrespeito à classe pode ser visto na obra “O tempo e o vento”, de Érico Veríssimo, a qual expõe a naturalidade de uma época frente ao abuso de mulheres, sejam escravas ou de famílias de prestígio, ao longo da trama e de sua cronologia (século XVIII até XX). Em vista disso, é possível visualizar como os atos agressivos e a inferiorização às mulheres estão ainda presentes no meio social devido ao legado deixado pela história e por uma construção cultural marcada pela inferiorização feminina.

Em segunda análise, o fator temporal trouxe como consequência, justamente, a continuidade dos abusos e uma resistência de mentalidade do grupo masculino em continuar com tais ações. Nesse ínterim, segundo pesquisas do Datafolha, quase 50% das mulheres brasileiras já sofreram assédio sexual, inclusive na infância e na adolescência, corroborando a situação recorrente de ataques ao público do gênero feminino, mesmo na sociedade hodierna. Destarte, haja vista os números elevados dos casos de ataques de cunho sexual às mulheres pelos indivíduos masculinos, constata-se que esta violência permanece sem a atenção devida e, principalmente, carregando um histórico deixado por séculos de brutalidade.

Depreende-se, pois, que o assédio sexual é uma problemática muito presenta na contemporaneidade e que precisa ser sanada. Assim, é necessário que o Governo, juntamente à ONU e ONGs, promova a criação de campanhas periódicas de educação social à população, em locais como escola e ambientes de trabalho, compostas de palestras e debates, além de propagandas engajadas nos veículos de comunicação em massa, visando atingir o maior número de pessoas no combate a herança histórico-cultural dos abusos às mulheres. Ainda assim, o Poder Judiciário deve intensificar os trabalhos de aplicabilidade das leis que asseguram o público feminino, a fim de julgar os crimes mais rapidamente, evitando a impunidade dos criminosos e assim diminuir as estatísticas atuais.