Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 26/06/2018

Desde os primórdios de nossa civilização observa-se o olhar social inferiorizante perante o ser “feminino”, haja vista que conquistas de direitos básicos, garantidos pela constituição, tais como o direito de votar e ser votada, terem sido garantidas tão tardiamente. Arrastamos através dos anos as consequências da implementação de uma sociedade patriarcal e machista que desumaniza e objetifica as mulheres, sendo estas vistas como subalternas, incapazes e nascidas para servir a classe masculina. Assim sendo, colhemos os frutos apodrecidos desta visão injusta e cruel tais como a necessidade de enfrentar assédios diariamente, sejam eles morais e/ou físicos/sexuais.

Primeiramente, nota-se que casos de abuso são socialmente naturalizados e, por diversas vezes, há a culpabilização das mulheres. Os homens são tratados, invariavelmente, como inocentes, imaturos e com instintos animais incontroláveis perante as “fêmeas”. Haja vista, o recente caso, de repercussão mundial, durante a copa de 2018 na Rússia, o qual alguns homens agiram de maneira extremamente machista e vexatória para com uma repórter russa em exercício de seu trabalho e, algumas pessoas, julgaram a situação como uma simples “brincadeira”. Infelizmente, constata-se que o dia-a-dia de uma mulher, em nossa sociedade, é permeado por situações agressivas e constrangedoras em diversos graus, a julgar através do alarmante número de estupros registrados e, não obstante, sendo este um dos crimes menos denunciados devido as inúmeras falhas sociais que, de maneira direta ou indireta, contribuem para a manutenção destes abusos.

De acordo com a feminista e escritora Simone de Beavoir, não se nasce mulher, torna-se. Assim sendo, muitas características tidas como femininas e masculinas são, na verdade, pré determinadas pela sociedade. Espera-se das meninas que sejam dóceis, maternais, vaidosas e cuidadoras, bem como diz-se que as mesmas amadurecem mais cedo que os homens. Todos estes aspectos contribuem para a conservação de uma estrutura de repressão e limitações que culminariam na naturalização dos assédios sofridos pelas mulheres e meninas diariamente.

Urge a necessidade de transformações estruturais. Os governos poderiam fazer parcerias com projetos como o “vamos juntas?” e coletivos feministas, além de implementar cotas para parlamentares, direcionadas a diversificar os representantes, desta forma as mulheres teriam chances mais equânimes na participação da vida política e, consequentemente, mais direitos poderiam ser conquistados. Além disso, as delegacias deveriam receber treinamento, proporcionado pelos governos, voltado ao acolhimento das vitimas de abusos, bem como debates  sobre gênero e preconceito, assim sendo, as vítimas sentiriam-se acolhidas e estes crimes seriam devidamente registrados e punidos.