Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 01/07/2018
Na Segunda Guerra Mundial, o número de homens nas cidades diminuiu e foram as mulheres que desempenharam trabalhos considerados masculinos nas fábricas, com isso elas tiveram mais autonomia e começaram a protestar, pedindo por direitos, como o voto. Sendo assim, na nossa atual conjectura, obtivemos várias mudanças políticas e sociais em relação as mulheres, porém ainda existem pensamentos machista, os quais as enxergam apenas como objetos, gerando o assédio sexual. Diante disso, deve-se analisar como a permanência do pensamento patriarcal e a banalização da violência contra a mulher são desafios que impedem a redução no número de vítimas.
Nesse contexto, a perpetuação do pensamento patriarcal é a principal responsável nos casos de assédio sexual. Isso decore da herança cultural que recebemos dos romanos e hebreus, que eram sociedades patriarcais, para os romanos, apenas eram cidadãos os homens que participavam da vida política, as mulheres eram tidas como servas, da mesma forma os hebreus, os quais influenciaram o direito atual, também tinham esposas somente para procriação. Assim, esse raciocínio foi passado adiante e ainda subsiste no século atual através de, por exemplo, novelas, filmes, músicas e também a educação familiar. Por consequência disso, o corpo feminino é objetificado, fazendo com que a mulher seja inferiorizada e sofra inúmeros abusos cotidianos.
Atrelado à sociedade, nota-se que a violência contra mulher é banalizada, fazendo com que os assédios sexuais sejam naturalizados. O filósofo, Foucault, fala sobre as relações de poder, na qual se fundamenta não em bens, como o dinheiro, mas nas próprias relações, em que há um dominador e o dominado, dessa forma, o assédio não se trata da sexualidade do corpo feminino, mas no poder, o qual é materializado na violência. Visto que, nessas situações, corriqueiramente, culpabiliza-se a vítima, pois esta é tratada de forma desigual diante do machismo, expressando, portanto, o domínio masculino, que se reproduz em ambientes públicos, domésticos e privados.
Torna-se evidente, portanto, que a perpetuação das desigualdades entre homens e mulheres, por meio da banalização da violência e do pensamento patriarcal são desafios, os quais necessitam ser superados para que haja redução nos casos de assédio sexual. Em razão disso, o Ministério da Educação deve incluir o ensino obrigatório sobre machismo para desconstruir pensamentos retrógrados, por meio de palestras, oficinas e rodas de conversas em salas de aula. Ademais, o Ministério Público, em parceria com as Seguranças Públicas de cada federação devem efetivar os direitos das mulheres, dando apoio em casos de denúncias através da criação de mais delegacias especializadas no tema e criando também ouvidorias para receber o maior número possível de casos.