Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 24/06/2018

O corpo das mulheres não é público

A construção da sociedade ocidental judaico-cristã está fundamentada em uma cultura patriarcal que alicerça o silenciamento e a violência contra a mulher. Mesmo após as conquistas graduais dos últimos 120 anos, existem valores retrógrados que ainda permanecem e servem para legitimar atitudes misóginas e machistas.

Como pode ser observado nos inúmeros casos de violência doméstica e feminicídio, cuja taxa do Brasil de 4,8 para 100 mil mulheres é a quinta maior do mundo de acordo com dados das Nações Unidas. Ademais, a situação atual de violência contra o ser feminino está embasada em um sistema social patriarcal que inferioriza as mulheres, criando subterfúgios para diversas agressões como o assédio sexual, que se naturaliza por meio da constante objetificação do corpo feminino que é visto apenas como um meio para o prazer masculino.

Sendo assim, é comum que os indivíduos vejam o corpo das mulheres como algo público para ser visto, comentado e tocado; gerando a circunstância perfeita para o assédio sexual público e doméstico ocorrer e continuar impune, pois muitas têm medo do tratamento que receberão na delegacia e da opinião pública e de familiares que comumente culpabiliza a vítima.

Por isso, os desafios para reduzir os casos de assédio sexual são muitos e atravessam profundamente a cultura vigente que inocenta assediadores e duvida de quem sofre. Desta forma, será necessário ações conjuntas de diferentes segmentos da sociedade como educação sexual e ensino sobre consentimento por meio das famílias, da escola e de campanhas governamentais de conscientização, por exemplo, a atual #HeForShe da ONU Mulheres. Além disso, investimentos estaduais para ampliar e melhorar a rede de delegacias da mulher para atender de modo humanizado e livre de julgamentos as verdadeiras vítimas da situação.