Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 25/06/2018
“A sociedade é dependente da crítica às suas próprias tradições”. A frase do filósofo Habermas, parece fazer alusão a atual face do cenário de assédios cometidos contra as mulheres. Nessa perpectiva, cabe analisar os fatores históricos que corroboram para tal descaso e para a manutenção de uma porcentagem, segundo uma pesquisa do Datafolha, de quatro em cada dez brasileiras já terem sofrido abuso sexual.
A construção social humana, mostra que as primeiras famílias foram elaboradas com base no modelo patriarcal, onde a figura masculina era detentora do controle e da proteção, restando a mulher ser submissa e dependente. Na segunda guerra, por exemplo, elas serviam apenas como reprodutoras para a manutenção da raça ariana, como podemos notar no filme As mães do Terceiro Reich.
O termo assédio, tão comentado na atualidade e em especial, ligado sempre a algum acontecimento sofrido pela figura feminina, é entendido como uma importunação ou perturbação para a obtenção de algo, principalmente de origem sexual. O machismo, fruto do patriarcalismo, é um dos grandes culpados por isso ter se tornado um problema tão grande e sem limites. As leis contra o assédio existe, porém é branda e em muitos casos, as delegacias, que são comandadas por homens, não compreendem a natureza das queixas, ocultando a voz das mulheres e tratando o problema como insignificante.
Em suma, a fim de que a sociedade mude sua visão acerca de suas próprias tradições, cabe ao governo a criação de campanhas a serem divulgadas pela mídia, enfatizando a questão do assédio sexual e a importância da denúncia. Ademais, cabe as escolas, em parceria com as ONGS a orientação através de palestras e debates sobre o que é o assédio sexual, sua construção cultural e a explanação dos variados tipos de assédio, para que todos, em especial as mulheres se conscientizem e que como na música de Chico Buarque “afastem de si esse cale-se” e se posicionem frente a tal situação.