Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 22/06/2018
No livro “lolita” de Vladimir Nabokov, é narrada a história de humbert, um homem de meia idade que mantém um relacionamento sexual com uma garota de 12 anos. O personagem romantiza o abuso e induz a provocação por parte da vítima. Outrossim, ocorre na sociedade atual a banalização do assédio sexual contra a mulher, que apesar de ser criminalizado, ainda está presente em várias vertentes. Nessa perspectiva, a figura feminina é vulgarizada como um instrumento sexual diariamente. Sob esse aspecto, convém analisar as principais causas dessa problemática e como combatê- la.
Em primeiro lugar, é imprescindível ressaltar que a herança histórico-cultural é uma das maiores causas do assédio no Brasil contemporâneo. Nesse caso, é herdado da sociedade patriarcal machista que moldaram o país até o século XX. Pois, segundo o sociólogo Pierre Boudieu em sua teoria sobre o “Habitus”, toda sociedade incorpora padrões sociais impostos e os reproduz ao longo das gerações. Nesse sentido, as gerações atuais são susceptíveis a disseminar e legitimar a cultura do assédio de várias formas de propagação, tonando uma prática natural enraizada na comunidade, tendo-a como algo “normal”.
Ademais, a constituição de 1988 garante proteção integral ao sexo feminino, porém o Estado não efetiva corretamente esse direito. Nessa sentido, conforme Aristóteles destaca no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade e segurança dos cidadãos, logo verifica-se que esse conceito está em decadência no Brasil, à medida que o número de casos de assédios e violência crescem a cada dia. Desse modo, a campanha “Chega de Fiu Fiu” que realizou uma pesquisa, revelou que 85% das pesquisadas já tiveram seu corpo tocado sem permissão em espaços públicos. Configurando assim, uma falta de respeito descomunal para com os direitos dessa parcela da sociedade.
Torna-se evidente, portanto, a eminência em cessar a problemática. Em razão disso, o Estado deve implementar políticas públicas reforçadas que possam desenvolver métodos para assegurar a harmonia dos cidadãos em locais públicos, e ainda configurar uma equipe especializada para resolver os casos de assédio e violência sexual, efetivando punições justas e multas aos responsáveis. Além disso, o Ministério da Justiça e Cidadania em parceria com a mídia, devem elaborar projetos e campanhas nas escolas e comunidades, que busquem mudar a visão da população quanto a figura feminina, garantindo a execução dos direitos conferidos à mesma. Buscando assim, destruir esteriótipos construídos ao longo do tempo e induzir um melhor relacionamento da sociedade atual brasileira.