Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
A obra “O Cortiço”, do autor naturalista Aluísio de Azevedo, retrata Bertoleza, uma mulher submissa que sofre, constantemente, violência de seu parceiro, João Romão. Na realidade do Brasil atual, infelizmente, casos de violência contra a mulher perpetuam-se, destacando-se o assédio sexual. Nesse contexto, a herança histórica e a má formação socioeducacional representam desafios para a redução desse crime.
Em primeiro plano, a formação histórico-cultural constitui a gênese da problemática. Alicerçada em um sistema patriarcal, a sociedade brasileira teve sua formação e desenvolvimento com base na submissão da figura feminina ao homem, tendo a obrigação de satisfazer os desejos sexuais deste. Em consonância com a teoria do “Habitus”, do filósofo Bourdieu, a sociedade incorpora e reproduz as normas sociais que lhe são impostas. Nessa perspectiva, o assédio sexual é naturalizado por muitos,pois há a perpetuação dessa visão de objetificação da mulher.
Outro aspecto crucial é a deficiência da formação socioeducacional dos brasileiros. Ao não desconstruir ideias de senso comum, como o famoso discurso de que o homem possui desejos sexuais incontroláveis, a escola contribui para a formação de cidadãos que legitimam o assédio sexual como uma ação natural masculina. Tal desconstrução é essencial, pois, de acordo com A. Shopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam sua compreensão sobre o mundo que a cerca.
Evidencia-se, por conseguinte, que o assédio sexual deve ser combatido no campo socioeduacional. Para isso, o Ministério da Educação deve promover nos ensinos fundamental e médio palestras, embasadas nas ciências humanas, que desconstruam essa herança machista, ressaltando a igualdade de gêneros e a necessidade do respeito mútuo entre estes. Dessa forma, professores e alunos construirão, juntamente, debates críticos e tais visões errôneas se desconstruirão, reduzindo, ou até extinguindo, a incidência desse crime.