Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 23/06/2018
A igualdade está dentro dos direitos e garantias fundamentais da Constituição Brasileira de 1988. No entanto, tal igualdade parece ser marcada apenas no papel, visto que, muitas vezes, os resquícios de uma formação machista fazem com que as mulheres sejam tratadas com inferioridade, sendo a violência moral e sexual resultados desse tratamento. O assédio sexual faz parte da realidade não só brasileira como também mundial, sobre o qual comumente os agressores tentam culpar as vítimas e a totalidade das denúncias é impedida pelo medo ou vergonha.
A culpabilização da vítima é algo muito recorrente. Assediadores, agressores e até mesmo algumas mulheres tentam justificar o assédio sexual afirmando que as roupas e comportamentos das vítimas são o motivo da agressão verbal ou física, levando a sociedade e, com frequência, a própria padecente a questionar se de fato tais afirmações deturpadas não seriam verdadeiras. Quebrando essa ideia, uma exposição realizada na Bélgica, em 2018, trouxe roupas de vítimas de estupro para romper o mito de “culpa da mulher”, tendo no conjunto roupas normais, discretas e até de crianças, mostrando, assim, a realidade e a necessidade de apoiar as vítimas e não o agressor.
Além disso, inúmeros casos de assédio não são denunciados. Apesar da comoção gerada pelas diversas denúncias de assédio sexual existente nos bastidores de Hollywood, milhares de mulheres pelo mundo ainda são vítimas de tal abuso e sofrem caladas. Diariamente, nas ruas, no ambiente familiar ou profissional, mulheres ouvem “cantadas” desagradáveis, são tocadas sem consentimento e até violentadas sexualmente e, por medo de serem demitidas, acontecer novamente ou receio de julgamentos, muitas não conseguem denunciar os assédios sofridos. Dessa forma, como o escritor Elie Weisel afirmou, o silêncio encoraja o torturador e nunca o torturado.
Portanto, a fim de promover a redução dos casos de assédio sexual no Brasil, é essencial que as escolas busquem dissociar as crianças dos ideais machistas, por meio de atividades educativas que trabalhem a igualdade e o respeito, como brincadeiras e histórias em quadrinhos voltadas para o tema. Ademais, visando diminuir a insegurança em relação às denúncias, cabe ao Poder Executivo e Judiciário assegurar que as vítimas não sejam prejudicadas ao denunciarem os abusos, mediante uma ordem de afastamento imediato do agressor e com o fortalecimento das punições acerca do assédio sexual, com a garantia de sua efetividade e severidade, mesmo diante dos casos mais leves.