Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 25/06/2018
A naturalização da violência no Brasil é um dos principais desafios para o debate sobre o comportamento dos grupos sociais brasileiros. Um desses tipos de violência, é a contra a mulher, segundo a SPM-PR a cada 7 minutos ocorre uma denúncia de violência contra a mulher. O assédio, presente no cotidiano das mulheres, também é um tipo de agressão, porém muito mais naturalizado que a agressão física, e essa normalização é que promove a continuidade dessa violência.
A igualdade de gênero sempre foi presente em uma parcela muito pequena das sociedades. Na Grécia Antiga, por exemplo, um dos ideais mais difundidos na época antiga e que perpetuou pela Idade Média formando uma base pautada na inferioridade da mulher, foram os aristotélicos, segundo uma das ideias dizia que a mulher é um homem incompleto. Essa ideia perpetuou por toda a Idade Média e insiste até hoje.
Nas ruas do mundo as mulheres sofrem com comentários de cunho sexual e maldosos, andam com medo de serem assaltadas e logo depois, como se fosse algo automático, estupradas. O assédio pode não ser um estupro, porém pode levar ao estupro e a não discussão e a estática comportamental entre homem e mulher pode levar à barbárie. O não reconhecimento do machismo em si mesmo é muito presente no Brasil, onde 87% das pessoas concorda que a sociedade é machista, enquanto apenas 24% admite ser machista, segundo pesquisa do Instituto Avon realizada em 2016.
Portanto os desafios do assédio são: a naturalização de padrões e ações sociais, padrões estes enraizados desde os tempos antigos, sobre a mulher ser inferior ao homem, frágil e dependente do sexo masculino, sobre o homem ter a obrigação de ser o provedor da família e ser másculo, nunca fugir de uma briga e sempre defender a sua companheira; a não discussão e a não problematização sobre as relações sociais entre homem e mulher no cotidiano, nas escolas e acrescido a esse ambiente, o currículo de gênero difundido pelas escolas por meio de representações sexistas nos livros didáticos, por exemplo relacionando cor e brinquedos ao sexo feminino e masculino. Por fim para o avanço da sociedade para uma convivência mais harmônica e igual medidas devem ser tomadas como, difusão de discussões de gênero e suas relações sociais em veículos de comunicação, como internet, como vídeos sobre o assunto, no meio televisivo, nas novelas e nos jornais, estes evidenciando as vítimas que a desigualdade de gênero causa e que tudo começa com o assédio. É preciso diferenciar assédio de elogio, pois muitas pessoas acreditam que cantadas são elogios e que as mulheres gostam, isso se efetivará por meio, também, da mídia. Deve haver discussões sobre o assunto nas escolas e a desconstrução dos esteriótipos de gênero. Atentar não apenas à punição, mas também à prevenção.