Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 21/06/2018
Um dos problemas mais recorrentes que as mulheres enfrentam no cotidiano é o assédio sexual. Nos últimos anos, a temática tornou-se uma pauta de discussão forte em vários grupos sociais, inclusive, recentemente na Copa de 2018, um vídeo no qual alguns brasileiros cantam frases obscenas ao redor de uma russa viralizou, ainda mais pelo fato de terem se aproveitado de uma incompatibilidade de idiomas, para “brincar” com a russa sem ela se dar conta do que se tratava. Trata-se de um pequeno reflexo de como o assédio sexual é banalizado. No Brasil, os casos aumentam, devido a fatores como cultura permissiva e falta de punição.
Em primeiro lugar, a própria sociedade coloca a mulher como uma forma de objeto e submissão total aos homens. Em propagandas da mídia, principalmente as voltadas para o público masculino, a mulher sempre aparece como uma recompensa pelo uso ou a compra daquele produto, tal como se a figura feminina fosse um brinde e, consequentemente, um objeto, o qual o homem pode usar da forma como quiser. Dessa forma, o assédio sexual acaba sendo visto como algo natural, devido ao fato dessa cultura machista estar enraizada no pensamento das pessoas, que não enxergam esse tipo de mensagem como uma incitação à coisificação da mulher e um acesso livre ao assédio sexual.
Ademais, no campo trabalhista, os editores subestimam a capacidade das mulheres e atribuem a elas “matérias leves” em vez das editorias principais, como segurança nacional e política, além de que quando ocupam os mesmos cargos, recebem salários inferiores. Além disso, um outro desafio também é incentivar as mulheres a denunciarem esse tipo de crime. A maioria acaba sofrendo o assédio caladas devido ao medo que seus agressores as impõem; em certos casos, elas não acreditam que haverá respaldo da justiça, ou nas poucas vezes que decidem denunciar acabam sendo culpadas pelos assédios sofridos, responsabilizadas pelos seus comportamentos ou vestimentas.
Dessa forma, é preciso que medidas sejam tomadas para que esse quadro de violações acabe. As empresas devem desenvolver um sistema para denunciar discriminação ou assédio sexual, além de desenvolver um comitê para estudar códigos de conduta para empregadores, assim como O Departamento de Estado dos EUA define uma lista de direitos dos empregados e oferece um modelo de código de conduta. O Governo Federal em parceria com os Ministérios de Propaganda e Justiça devem promover campanhas que limitem o conteúdo divulgado pela mídia, evitem comentários machistas e o desmerecimento da parcela feminina por uma mera questão biológica. Ademais o Poder Judiciário deve cumprir o seu papel, impondo a devida punição, com reclusão sem direito a fiança para tais agressores, a fim de que essa problemática seja minimizada.