Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 21/06/2018
Na sociedade moderna - época em que a corrente literária do romantismo estava em seu auge - era comum a publicação de textos exaltando a beleza da mulher e idealizando a mesma como um ser perfeito em sua plenitude. Ademais, escritores como Álvares de Azevedo pregavam ideias de que o sexo feminino era puro, e portanto, deveria ser reservado para alguém que verdadeiramente o merecesse. Contudo, esse cenário de devaneação exacerbada da mulher, resultou em uma sociedade com práticas machistas e misóginas, refletindo em atos como o assédio sexual ascendente na contemporaneidade.
Vale ressaltar que a objetificação do corpo feminino advém da Grécia Antiga e, portanto, está intrínseco na conjuntura atual. Só para exemplificar, Aristóteles reproduzia a ideia de aversão às mulheres, dizendo que as mesmas são inferiores, e, por conseguinte, assemelham-se a objetos. Discursos como o do filósofo grego, atrelados a ideias sexistas, contribuíram de maneira afluente para a defasagem dos direitos femininos no contexto hodierno. Outrossim, pesquisa realizada pelo Datafolha mostra, assustadoramente, que 42% das mulheres já sofrem assédio sexual. Entretanto, quando vincula-se esse número à soma das denúncias, observa-se uma enorme discrepância entre direito e garantia, uma vez que opta-se por não denunciar à sofrer as consequências sociais do ato.
Em suma, uma vez que não há imputação, torna-se difícil resolver a problemática. Todavia, constata-se, hodiernamente, que após o movimento feminista da década de 1960, as mulheres, ainda que vivendo em um cenário desigual social e profissionalmente, manifestam seus ideais de maneira abundante. Nesse âmbito, o repúdio ao assédio sexual mostrou-se crescente, sendo assim, portanto, uma temática debatida na época atual. Isto é, a atenção voltada à essa problemática atua como benefício para que as situações tornem-se escassas.
Dado o exposto, para que se reverta esse cenário incômodo e problemático, urge a atuação do Ministério Público na criação e restituição de leis que protejam as mulheres, oferecendo-lhes um respaldo na lei e a garantia de seus direitos. Ademais, os sindicatos devem atuar de maneira informativa por meio de peças publicitárias, trazendo a conhecimento geral temáticas que muitas vezes são desconhecidas da classe proletária - é importante ressaltar que o assédio é ascensionário no ambiente de trabalho. Por fim, seria benfeitor que as instituições escolares abordassem a temática desde o ensino infantil, expondo a importância de denunciar, e antes de tudo: de não realizar este imbróglio. Como resultado, parafraseando Martin Luther King que diz que toda hora é hora de fazer o certo, a conjuntura global, ainda que tardiamente, desfrutaria de resultados respeitáveis.