Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 25/06/2018
No limiar do século XIX, o francês Jean Baptiste Debret, retratou o quadro “um funcionário a passeio com a sua família”, o qual elucida um estereótipo de família, em cuja hierarquia o homem mostra- se a frente, imponente, liderando as mulheres, que tem papéis preestabelecidos e inferiores ao dele. Conquanto, as lutas femininas têm sido significativas para a ampliação dos direitos das mulheres nas últimas décadas. Entretanto, tal luta ainda enfrenta árduos desafios. Haja vista, pelos altos índices de assédios enfrentados por tal minoria. Isso se deve a uma mentalidade patriarcal e machista ainda muito forte hodiernamente, em essência de tratar a mulher como inferior ou objeto, em consonância, acentua no corpo social a banalização do crime, tratando o assédio com neutralidade.
Mormente, é indubitável que a sociedade brasileira traz consigo a herança histórica de uma mentalidade patriarcal e machista. Nesse ínterim, muitas pessoas encontram-se sob o que Nietzsche chama de “moral de rebanho”, pautada na submissão irrefletida a valores arcaicos de uma civilização cristã e burguesa. Nessa acepção, muitos indivíduos ainda compartilham de uma ideia ultrapassada de sociedade e acham-se no direito de explicitar o assédio físico ou verbal, sem nenhum constrangimento tratando as mesmas como objeto ou algo inferior. Em consequência disso, muitas dessas são vítimas de assédio, sendo privadas de cidadania.
Outrossim, alicerçado a herança histórica cultural brasileira sobressai na mídia a banalização de tal crime, omitindo as raízes e as peripécias que o sucedem, logo, dificultam o pleno gozo de uma sociedade estável. Nessa acepção, infere-se que a prática da alteridade é ferida, avultando cada vez mais pessoas a mediocrizar e fortalecer tal crime. Além disso, muitos que cometem o assédio por falha judiciária não acabam sendo punidos como deveriam ser, o que na prática acentua ainda mais a neutralidade do assédio. Dessa forma, elementos enraizados ratificam um regresso na contemporaneidade.
Diante desse prisma, são imprescindíveis parâmetros que visam a atenuar o assédio sexual enfreados por mulheres no Brasil. Destarte, urge por parte do Estado, a elaboração de políticas públicas e a criação de medidas repressivas, por meio de leis concretas que visam a punir de maneira efetiva os indivíduos que cometem o assédio, em consonância com o poder legislativo, coadjuvar para cessar com a banalização do crime, punindo conforme a atrocidade cometida pelos mesmos. Ademais, é mister que a mídia, veicule campanhas em prol da denúncia e coadjuve a cessar com o machismo, e por meio das redes sociais divulgando o número de vítimas que sofrem diariamente, a fim de sensibilizar o corpo social. Por fim, punir e denunciar é essencial para cessar uma triste herança colonial.