Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 22/06/2018

“No meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho” esse trecho de Carlos Drummond de Andrade, exemplifica que o homem ao longo da sua formação encontra adversidades que necessitam de soluções. De forma análoga, no Brasil contemporâneo o assédio sexual representa um obstaculo na realidade de muitas mulheres. Com isso, surge a problemática que persiste intrinsecamente ligado a realidade do pais, seja pela insuficiência de leis, seja pelo legado histórico.

Dessa forma, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Conforme Aristóteles, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o assedio sexual rompe essa harmonia; haja vista que, embora esteja previsto na Constituição o princípio da isonomia, no qual todos devem ser tratados igualmente, muitas mulheres sofrem com desrespeito no mercado de trabalho, o assédio em locais públicos e até a violência sexual. Logo, nota-se que a qualidade de vida da mulher é abalada pela má aplicação constitucional.

Ademais, é imprescindível ressaltar a herança histórico-cultural do Brasil. Nesse caso, é herdado da sociedade patriarcal machista que moldaram o país até o século XX. Pois, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu em sua teoria sobre o “Habitus”, toda sociedade incorpora padrões sociais impostos e os reproduz ao longo das gerações. Nesse sentido, as gerações atuais são susceptíveis a disseminar e legitimar a cultura do assédio de várias formas de propagação, tonando uma prática natural enraizada na comunidade, tendo-a como algo “normal”.

Infere-se, portanto, a eminência em cessar a problemática. Em razão disso, o Governo Federal, em parceria à esfera Estadual e Municipal do Poder, elabore um plano de implementação de delegacias especializadas no combate ao assédio, principalmente em regiões que mais necessitam, além de fornecer as vítimas acompanhamento psicológico regular, com o efeito de fornecer suporte para as pessoas que enfrentam o problema no Brasil. Além disso, o Ministério da Educação e Cidadania em parceria com a mídia, devem elaborar projetos e campanhas nas escolas e comunidades, que busquem mudar a visão da população quanto influência da cultura patriarcal. Só assim, é possivel superar o estado de inércia e transpor  a “pedra no meio do caminho” descrita pelo poeta brasileiro.