Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
Na Idade Média, há a visualização de uma sociedade estratificada e regida a partir de princípios invioláveis, como o patriarcalismo. Através dos séculos, consolidou-se a hegemonia masculina perante à população feminina, a qual descreve casos de inferiorização da mulher, exemplificados pelo assédio sexual. Sendo assim, é urgente a condenação de atos contra a integridade feminina, que revelam-se intrínsecos à ideologia dominante na construção da sociedade contemporânea.
Destaca-se que a problemática acerca da violência contra a mulher encontra-se fundamentada na trivialização dessas práticas no cotidiano moderno. Essa visão popular equivocada mediante tais ações é embasada no conceito da “banalização do mal”, defendido pela filósofa Hannah Arendt, no século XX. Tal teoria confirma a vulgarização do preconceito direcionado a esse grupo, sobretudo, no que tange à invasão do espaço individual feminino. Como consequência disso, nota-se a persistência de episódios de agressões físicas e psicológicas em relação à classe feminina, legitimados pelo ideal conservador que sustenta o corpo social do século XXI, ainda que inaceitável. Desse modo, enquanto houver a continuidade do descaso quanto à concepção social sexista e intolerante na coletividade, será inviável a minimização de eventos desrespeitosos no que se refere à manutenção da plenitude da mulher.
O escritor George Orwell, em seu livro “A revolução dos bichos”, declarou que todos são iguais, entretanto, uns mais iguais que os outros. Então, embora as mulheres tenham conquistado os mesmos direitos e deveres dos homens perante à estrutura política, a desigualdade entre os gêneros é exibida em outras esferas sociais, como nas disparidades das relações trabalhistas e na idealização comportamental inerente aos indivíduos, caracterizada pelo machismo. Essas ações, descritas pela objetificação da mulher, são amparadas pela falsa noção de superioridade masculina e de subordinação feminina à tal grupo na sociedade, ocasionando a crescente violência em âmbito público e privado. Portanto, a violação da integridade feminina refere-se não apenas ao contato desautorizado no corpo da vítima, mas também à persistência de uma base social completamente arcaica e respaldada em pensamentos retrógrados no que concerne ao papel feminino na coletividade.
Desse modo, atitudes são imprescindíveis para combater o exercício do assédio sexual na comunidade. Cabe às escolas incentivar o respeito e o convívio harmônico entre as crianças, a partir de tarefas interdisciplinares sem distinção de gênero e do diálogo com pedagogos especializados na interação entre alunos, a fim de que sejam atenuados os atos de violência quanto à figura da mulher no corpo social, em projeções futuras. Assim, haverá a possibilidade, mesmo após séculos, da saída definitiva da Idade das Trevas em relação ao paradigma feminino.