Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 22/06/2018
A prática de assédio é uma anomia gerada pelos abusos de poder nas sociedades. Dessa forma, ao analisar as heranças das relações de poder patriarcais, o abuso sexual é um infeliz legado que ainda assombra a realidade brasileira e vitimiza, sobretudo, mulheres. A persistência dessa prática é uma problemática que enfrenta desafios como a vigência de uma cultura do assédio e o silêncio das vítimas.
Em primeira análise, ao resgatar o ponto de vista histórico da sociedade sobre a mulher, Aristóteles afirmava-a como um ser intelectualmente inferior e reduzido à função reprodutora. Logo, essa cosmovisão do feminino justificou a longa jornada de abusos sofridos pela mulher da Idade Antiga à Idade Contemporânea, cravando, portanto, uma cultura universal de assédio. Vítimas dessa visão míope e machista, 86% das mulheres brasileiras já foram assediadas verbal ou fisicamente, esse tipo de conduta evidencia, portanto, que a sociedade ainda não experiência a igualdade de gênero, objetifica a mulher e reforça a visão Aristotélica.
Outro desafio adensador do assédio sexual é o silêncio, o medo de denunciar. Desse modo, há dificuldades para mapear e mensurar esse problema a fim de viabilizar políticas públicas eficazes. No metrô de São Paulo, por exemplo, foram registrados 165 assédios em 2015, porém, verificou-se que apenas 17% das vítimas denunciaram. Conclui-se, com esses dados, que a realidade esconde muito mais casos em relação ao que as estatísticas nos revelam, dessa forma, fatores como o medo de represália, insegurança e constrangimentos desencorajam as vítimas e dificultam a resolução do problema.
Evidenciam-se, portanto, desafios significativos para combater o assédio sexual, problema com raízes patriarcais e danoso para a sociedade. A fim de conter a cultura do assédio, o Ministério da Educação deve atacá-la por meio de palestras aos alunos, com ONGs relacionadas ao assunto, que versem sobre as formas mais comuns de assédio como cantadas, piadas e gestos sexuais, além de instruí-los a não temer em denunciar aos seus responsáveis.Dessa forma, espera-se a formação de cidadãos conscientes que respeitem o espaço do outro e a equidade de gênero. Além disso, visando atenuar o medo das vítimas a denunciar, a Secretária Especial de Comunicação Social deve promover campanhas de incentivo à delação dos casos de assédio por meio de propagandas divulgadoras dos canais de denúncia e placas em lugares estratégicos como o metrô. Assim, será possível vislumbrar um futuro sem a persistência de práticas desumanizantes como o assédio sexual.