Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
A perpetuação da cultura do assédio no Brasil é consequência de reflexos históricos enraizados na sociedade.Hodiernamente, a mulher é vitima de um modelo social no qual os padrões de comportamento são predeterminados por uma sociedade machista e patriarcal oriunda da dominação do sexo masculino.Neste ínterim, algumas intervenções são necessárias a fim de garantir os preceitos constitucionais de respeito,igualdade e liberdade da mulher tão violados pela cultura do assédio no país.
Desde as sociedades mais primitivas há a compactuação de valores morais e culturais em que o corpo feminino é objeto de desejo ,de consumo e de fertilidade.Uma das mais antigas obras artísticas já encontradas, ‘‘Vênus de Willendorf’’,composição datada de mais de vinte mil anos,acentua consideravelmente as partes relacionadas à fertilidade e a sexualidade feminina.Outrossim, no contexto social do século XIX, a obra literária naturalista ‘‘O cortiço’’ de Aluízio de Azevedo, objetificou a imagem da mulher ao denotar características que remetem a sensualidade e ao prazer do corpo feminino. Sob uma ótica zoomorfista, o autor constrói a imagem de uma mulher erótica, no qual seu corpo é visto como fonte de obtenção de prazer sexual e subjugada pelo empoderamento da figura masculina.
Na contemporaneidade a cultura do assédio encontrou nas redes sociais como Facebook , Instagram e Twitter, um meio de propagação de ofensas e comentários abusivos contra a mulher. Estas redes facilitam o acesso a vítima ao passo que torna inimputável o agressor, mascarando sua identidade.Não obstante ,as redes sociais também se tornaram uma potente ferramenta de combate ao assédio no país.A fim de engajar jovens e adultos,campanhas virtuais como ‘‘Chega de Fiu-fiu’’ criaram um ambiente virtual de compartilhamento de experiências vivenciadas pelas vítimas desse sistema e mapeamento das áreas de registros de ocorrência de assédio na cidade de São Paulo.Indubitavelmente tal experiência tem se mostrado pertinente e vem contribuindo com a exposição das óbices alarmantes e desrespeitosas que a mulher vivencia diariamente.
Evidenciam-se, portanto, significativas dificuldades de desagregação da cultura do assédio tão solidificada na sociedade brasileira.A fim de efetivar as garantias dos preceitos constitucionais de respeito, igualdade e liberdade inerentes à figura feminina, é papel da mídia e das redes sociais como o Facebook, Instagram e Twitter, instrumentos formadores de opinião, condenar a objetificação da mulher utilizando propagandas sócio-educativas.Além disso,seria interessante a parceria destes meios com ONG’s na organização de movimentos sociais, palestras e conferências em prol da valorização da mulher.Aumentam-se assim as chances de se garantir o respeito à liberdade feminina.