Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 01/07/2018
É fato que, em todo o mundo, as mulheres sofrem com diversas situações que reprimem-nas e exercem sobre elas imposições, inferiorizando-as. A isso denomina-se machismo, sendo ele um problema antigo que perpetua até os dias atuais, com a presença de várias ocorrências tidas como normais. Uma delas é o assédio, situação pela qual 85% das mulheres já passaram. Para tal problemática, fazem-se necessárias algumas intervenções.
No que se diz relativo à questão histórica-cultural é possível esclarecer com um exemplo claro: “O Guia da Boa Esposa”, publicado em 1955. Fica, pois, evidente que às mulheres não cabe o direito de reclamar e de ter o poder de decidir. Este é um fator primordial para que se dê continuidade à crescente ocorrência de assédios, já que elas nunca poderão ser ouvidas.
Com a chegada de figuras como Frida Kahlo, que resolveu não seguir padrões e não se sujeitou à submissão, foram levantadas bandeiras para a busca de direitos, de equidade entre os gêneros, dentre eles o Feminismo. E, claro, este vem manifestando-se cada vez mais. Há também a colaboração das redes sociais, como o Facebook e o Twitter que tornaram-se fortes mídias de divulgação, conscientização e encorajamento para que as denúncias sejam feitas e nenhuma mais se cale. É evidente que, quando uma resolve não esconder, outras vítimas resolvem se unir, porque sabem que o impacto do julgamento vindo da sociedade é amenizado. Prova disso foi o assustador número de denúncias contra Harvey Weinstein. Por outro lado, mais de 70% das vítimas de violência não denunciam.
No entanto, não bastam denúncias e ação em redes sociais, discussão em escolas e outros meios de combate, se não aliadas ao apoio da justiça, que muitas vezes é falha. O homem que ejaculou em uma mulher em um ônibus público de São Paulo não recebeu a devida punição, embora tenha sido pego em flagrante com esta lastimável atitude, apenas respondeu por importunar em lugar público e ficou livre.
Assim, levando em consideração a inferiorização da mulher, a carência de denúncias e a ineficiência das ações judiciais, é necessário que o MEC inclua nas escolas atividades de reflexão e palestras acerca do tema, a serem desenvolvidas com a participação da família. As mídias, por sua vez, devem apoiar campanhas que se manifestam a favor das vítimas, e continuem a divulgar o telefone para denúncias. Por fim, é papel do Poder Público fiscalizar para que sejam atendidas de forma eficaz todas as denúncias, e os delinquentes sofram as devidas punições. Desta forma, será possível reparar, aos poucos, danos trazidos há séculos de uma cultura perpetuadora.