Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 23/06/2018
É retrógrado. É machista. É de caráter inercial. Precisa ser combatido. O assédio sexual está presente na sociedade desde o período patriarcal, perpassou pela literatura barroca — onde a figura feminina foi edificada quanto a um instrumento de sedução — e perdura até os dias de hoje. Mesmo tendo ganho visibilidade e passado a ser detentora de direitos semelhantes aos dos homens, após históricos árduos de muita luta, a mulher continua sendo vítima dessa realidade execrável.
Em primeira instância, é válido ressaltar que, infelizmente, muitas vezes as mulheres são responsabilizadas pelos assédios sofridos. Isso decorre dos ensinamentos disseminados pelos cânones religiosos, em que a figura da mulher tornou-se sinônimo do mal e da perdição — que deriva da narrativa cristã da origem do pecado, no qual Eva, a primeira fêmea, cometeu o erro de levar Adão a comer o fruto proibido. Dessa forma, a sociedade impõe que as mulheres vistam roupas compostas e tenham comportamentos discretos e recatados em espaços públicos, caso contrário, estão fazendo um convite para o seu corpo e para constrangimentos de cunho sexual.
Outrossim, deve-se abordar ainda que, desde cedo, os meninos são estimulados a exercerem sua masculinidade exacerbada, que reflete a sua superioridade diante da mulher e sua “macheza” por meio da sexualidade. Essa masculinidade supracitada vai de encontro ao ideário aristotélico, que quanto ao sexo a diferença é indelével, ou seja, o homem deve conservar sua superioridade, independente da idade da mulher. Dessa maneira, essa ideia errônea é difundida e perenizada de geração em geração.
Diante desses impasses, é mister que o Ministério da Educação inclua na grade curricular do ensino médio, a matéria “Relações Interpessoais”, na qual será retratada questões relacionadas à sexualidade, vivência em sociedade e a importância do respeito, com o fito de desconstruir essa mentalidade machista, ainda muito impregnada na conjuntura contemporânea.