Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 23/06/2018
Primazia à virtude
Patriarcado é um sistema social em que o homem é o detentor do poder primário e das posições de liderança. Nesse sentido, expressa-se no Brasil os desafios para reduzir os casos de assédio sexual, uma vez que o referido sistema sociológico é intrínseco à moral dos indivíduos deste país. Dessa maneira, a compreensão - por parte das mulheres e sobretudo dos homens - de que o preceito supracitado é a razão de ser do entrave social em questão é indispensável para que ocorra a mudança do quadro no qual figura o problema.
Sob as condições do pensamento patriarcal, é fato que todo o tipo de violência contra a mulher é entendido pela sociedade brasileira como algo corriqueiro e, por conta disso, a mulher assim também entende, muitas vezes, o assédio sexual sofrido por ela e acaba por decidir não o denunciar. Por conseguinte, ganha força a premissa de que as mulheres não se importam e até mesmo gostam de qualquer manifestação por parte dos homens a respeito delas, pois, geralmente não há implicações negativas para aquele que comete o desrespeito. Isso configura um dos óbices para a redução dos casos de assédio no Brasil.
Outrossim, conforme os estudos de Max Weber, pode-se entender o patriarcalismo como uma das expressões do que ele mesmo classifica como dominação por tradição, uma vez que a ideia de supremacia ligada ao homem atravessa gerações simplesmente por tradicionalismo. Com isso tem-se o piso sobre o qual se firmam as justificativas masculinas, por vezes até mesmo femininas, para a suposta superioridade do homem sobre a mulher. Desse modo, essa mentira social vem sendo passada de pais para filhos perpetuando as possibilidades de mais e mais casos de crimes contra a mulher.
Em suma, portanto, para mudar a situação em análise, é fundamental o entendimento - por parte das mulheres e dos homens - de que o alicerce dos desafios para a diminuição dos casos de assédio sexual no Brasil é o patriarcalismo. Para tanto, em um primeiro plano é preciso conscientizar a mulher da importância de suas denúncias e, em segundo plano – no entanto em igual grau de importância –, transformar a sociedade expondo a mesma à verdade sobre a inexistência da propriedade do homem sobre a mulher. Tais medidas podem ser aplicadas, a título de exemplo, tendo como agentes o Governo Federal – financiando campanhas de conscientização–, os meios midiáticos – apoiando a medida do Governo - e o Ministério da Educação – criando projetos de educação que ensinem o real significado de respeitar à mulher. Assim sendo, há a possibilidade de nesta sociedade termos a supremacia delegada não a um gênero e sim a uma virtude: o respeito.