Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 23/06/2018

O Brasil cresceu nas bases paternalistas da sociedade europeia, visto que as mulheres eram excluídas das decisões políticas e sociais, inclusive do voto. Diante desse fato, elas sempre foram tratadas como cidadãs inferiores cuja vontade tem menor validade que as demais. Esse modelo de sociedade traz diversas consequências, como o assédio sexual, fruto da herança social conservadora e de um sistema educacional falho. Assim, convém analisar as principais causas e consequências desse problema.

Primeiramente, é necessário pontuar que casos relatados cotidianamente evidenciam o conservadorismo do pensamento da população brasileira. São constantes as notícias sobre o assédio sexual sofrido por mulheres em espaços públicos e até mesmo no ambiente de trabalho. Essas ações e a pequena reação a fim de acabar com o problema sofrido pela mulher, demonstram a habitualidade da postura machista da sociedade e a permissão velada para o seu acontecimento. Nesse sentido, nota-se que em muitos casos, mesmo que a vítima denuncie o assédio, é comum que seu relato tenha sua veracidade questionada, assim, a vítima não recebe a atenção necessária. Dessa forma, o afastamento de possíveis denúncias cede espaço para o crescimento dessa problemática na sociedade.

Outrossim, é válido salientar que o assédio sexual é fruto de uma educação moral falha. Isso ocorre porque as escolas não cumprem a sua função de educar e de formar cidadãos conscientes. Essa realidade fica evidente a partir da análise das grades curriculares dessas instituições, as quais priorizam conteúdos tecnicistas em detrimento de eixos humanísticos que poderiam abordar a igualdade de gêneros e princípios de respeito mútuo. Assim, nos raros momentos em que o assunto é colocado em pauta ele é tratado de maneira superficial, sem abrir espaço para debates e identificação do assédio. Como consequência, a partir do momento que a escola não  educa seus estudantes a reverem seus conceitos, ela contribui para a manutenção de comportamentos machistas.

Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar o impasse. O Estado deve investir, destinando uma maior parcela do impostos, em ONGs voltadas à defesa dos direitos femininos e mobilizar campanhas e palestras públicas em escolas, comunidades e na mídia, objetivando a exposição da problemática e o debate acerca do respeito aos direitos femininos. O mais importante, no entanto, é atingir a origem do problema e instituir em escolas aulas obrigatórias sobre igualdade de gênero, apresentando de forma mais simples conceitos desenvolvidos, por exemplo, por Simone de Beauvoir, de modo a desconstruir desde cedo ideias preconceituosas que são potenciais estimulantes para futuros comportamentos assediadores.

a criação de um projeto visando a distribuição de histórias em quadrinhos e livros nas escolas, conscientizando as crianças e jovens sobre a “igualdade de gênero” de forma interativa e divertida.