Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 23/06/2018
É notório que vivemos num momento nacional e internacional onde diariamente nos deparamos com relatos de assédio sexual, que infelizmente se fazem vigentes na sociedade, desde à alta classe envolvendo celebridades até pessoas comuns que convivemos no dia-a-dia, devido ao que podemos classificar como Cultura do Estupro e a crença por parte daqueles que o fazem de que estão acima ou fora do alcance das leis.
Escândalo no mundo do cinema, casos de assédios em seleções olímpicas, jornalistas relatando a violência durante o exercício de sua função. Casos como estes se tornam mais conhecidos, mas só nos fazem lembrar que o problema é real e que vigora diariamente na sociedade, e nos remete à nossa própria história, onde era tido como evidente a inferiorização da pessoa de acordo com seu gênero, delimitando assim seus direitos, inclusive sobre seu próprio corpo e função, parte deste problema tido como produto de uma cultura entranhada no meio social que torna a mulher um objeto e transfere a culpabilidade para a própria vitima. Situações que não se restringem à mulher, mas tem nelas sua maioria relatada, como demonstram dados levantados na campanha ‘‘Chega de Fiu-Fiu’’ que revela que 85% das pesquisadas já tiveram seu corpo tocado sem permissão no espaço público e pesquisa realizada pela Ipea que mostra que de 2009 a 2011 ocorreram cerca de 17.000 casos de feminicídio no Brasil.
Além disso, como disse Sólon, estadista na Grécia antiga, ’’ As leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insectos e são rasgadas pelos grandes’’. Essa frase resume bem a falta de segurança e confiança naqueles que regem a legislação, e garantem assim a confortabilidade para aqueles que se sentem no direito de assediar e causar desconforto violando o espaço pessoal e a propriedade privada garantida pela constituição, visto que cada um é proprietário de seu próprio corpo, sendo este nossa primeiro e mais importante domínio, e se isso não é respeitado, oque mais seria?
Vemos exemplos destes, rotineiramente relatados pela mídia, como no caso conhecido nacionalmente do homem que ejaculou no pescoço de uma passageira dentro de um ônibus,sendo preso num dia e no outro solto pela justiça, voltando a cometer o mesmo crime tempos depois.
Portanto, cabe ao poder legislativo elaborar uma reforma nas leis, de maneira a garantir a repressão de tais atos, e as autoridades responsáveis de botá-las em prática, assim como também fica à cabo da mídia e de ong’s a elas vinculadas á formulação de campanhas conscientizadoras, para que assim se repila tais atos na sociedade, garantindo o direito individual sob nosso próprio corpo e que casos como estes nunca mais voltem a acontecer.