Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 24/06/2018

O hábito

Desde a pré-história, período inicial das atividades humanas após a sedentarização, têm-se relatos dos comportamentos e modos dos habitantes daquela época. A história afirma, que a família era patriarcal, ou seja, a mulher se submetia às ordens e desejos do patriarca. Similarmente, a organização familiar contemporânea, da maioria dos brasileiros, ainda guarda resquícios da pré-história. Entre estes, estão atitudes machistas herdadas daquele período, as quais, são extremistas e oprimem a figura feminina, deixando-a constrangida e ferindo os direitos assegurados pela lei vigente. Por exemplo, o assédio sexual é protagonista nos atos de estupradores e pedófilos. Por tanto, essas mazelas sociais devem ser reprimidas, em prol da segurança da mulher e da sociedade.

Decerto, Émile Durkheim, em sua obra, A divisão do trabalho social, afirma que os indivíduos são completamente influenciados pelo meio em que vivem. Logo, se existe na sociedade uma cultura machista e preconceituosa, haverá consequências indesejadas, como o assédio sexual reproduzido por vários integrantes dela. Além disso, com a evolução da tecnologia, ficou mais fácil propagar o machismo. A exemplo, em junho de 2018 durante a realização da Copa do Mundo na Rússia, um grupo de brasileiros fez um vídeo em que aparece uma jovem russa sendo induzida a cantar um refrão com palavras de baixo calão referidas ao seu próprio corpo.

Por certo, é visível a intrínseca relação entre a cultura e as ações de uma significativa parcela dos cidadãos. Segundo Aristóteles, em sua obra, Ética a Nicômaco, a moral está fundamentada no hábito. Desse modo, o indivíduo reproduz cotidianamente aquilo que vê e julga correto. No entanto, lhe falta conhecimento para discernir o que vai ou não ferir os direitos do próximo. Essa ausência de visão, é efeito da inviável representatividade dos pais ou responsáveis do adolescente ou criança, pois é nesse período de vida que se constrói e fixa os bons modos e condutas.

Por fim, para que o machismo e o assédio sexual sejam refreados, é fundamental a ação dos pais em parceria com a escola, na promoção de projetos  educacionais sociais. Como exemplo, a escola pode realizar debates em sala de aula, dando enfoques nas consequências do assédio sexual, alertando e conscientizando alunos e pais. Além disso, os pais ou responsáveis pelo adolescente deve fortificar os conselhos dados em sala de aula ou eventos. Ainda, devem esclarecer as causas do assédio, direcionando o jovem a criar uma visão   de mundo mais ampla e consciente. Desse modo, a longo prazo, haverá uma sociedade pautada no respeito e portadora da ética. Logo, Aristóteles estava certo, a moral está fundamentada no hábito.