Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 24/06/2018

A imagem do corpo feminino sempre foi fortemente atrelada a sensualidade, ao profano, e aos prazeres carnais, o que gerou um rótulo de que a mulher não passa de um mero objeto de satisfação sexual. Desde os primórdios da humanidade as mulheres têm sido ensinadas a serem submissas aos homens, que de acordo com a estrutura patriarcalista que ainda se mantém em vigor, representam a figura de autoridade e poder. Os números alarmantes de casos de assédio sexual persistem por conta da mentalidade machista de submissão e da coisificação feminina.

Dentro da sociedade hodierna o pensamento machista se alimenta da estereotipização feminina  que é exercida pela mídia, que retrata a a mulher como sendo um ser superficial, como apenas um objeto bonito , além de vulgarizar a mulher, por meio de músicas que circulam nos meios de comunicação, e que diariamente trazem mensagens machistas e discriminatórias. Isto é evidenciado na canção Amiga da minha mulher, do Seu Jorge, na estrofe, " se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração’,  nota-se uma tentativa de justificação para o assédio, justificativa essa que é muito utilizada, e aceita pela sociedade, o ato do assédio é visto como um elogio a beleza da mulher.

Há hoje a banalização do assédio sexual, nas ruas, no trabalho, nas festas e até dentro da própria casa, as cantadas, puxões de cabelo e tentativas de reprimir a vítima à violência sexual são ações que já se naturalizaram, e acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres. Dentro das concepções machistas que são amparadas pelo patriarcalismo vigente na sociedade, as mulheres que fogem dos padrões, recatada e do lar, e que usam roupas curtas e andam desacompanhadas estão propícias ao abuso. Na tentativa de revidar, e acabar com a sensação de impunidade campanhas virtuais como “Meu Primeiro Assédio”  circulam nas redes sociais, a fim de denunciar as opressões vividas, trocar experiencias e chamar a atenção da mídia, a fim de mostrar que assédio é um problema real que deixa marcas permanentes nas vítimas.

Portanto, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar o respeito e igualdade entre os gêneros e o exercício da denúncia. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação e em parceria ao Ministério da Justiça, implementar aos livros didáticos de a participação das mulheres, como a cientista Marie Curie que descobriu a radioatividade e diversas outras mulheres que fizerem grandes feitos mas que não possuem destaque, a fim de despertar senso crítico nos alunos, e quebrar com os paradigmas do machismo de que o sexo masculino é superior ao feminino. Ademais, os meios de comunicação com impacto apelativo devem transmitir noticiários sobre a equidade de gêneros e problematizar a banalização do assédio, induzindo a reflexão e mudança na conduta dos indivíduos.