Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
De acordo com Nelson Mandela, ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que respeite a liberdade dos outros. Todavia, a prática deturpa a teoria, haja vista que o tecido social não conseguiu desprender-se das amarras de uma sociedade desrespeitosa. Isso se dá porque, a conjuntura contemporânea ainda é marcada por princípios machistas, os quais têm sido revertidos por levantes feministas.
Ainda do século XXI, as mulheres não conseguiram atingir a igualdade de gênero, pois a banalização de seus direitos provém de uma herança cultural enraizada, cujos ideais patriarcalistas vêm sendo incrustados fortemente no tecido social. Já na Antiguidade, Atenas, cidade-estado grega, foi considerada berço da democracia, entretanto, as espartanas tinha mais espaços que as atenienses. Atualmente, a imagem feminina permanece vinculada à fragilização e à objetificação. Isso se evidencia pelo fato de 85% das mulheres já tiveram seu corpo violado sem consentimento. Ademais, a utilização de imagens sexualizadas, a fim de fomentar a venda de produtos masculinos, não é uma prática ultrapassada e abominável.
É relevante ressaltar, no entanto, que esse cenário vem se alterando - mesmo que de forma lenta e gradual - graças à promoção de movimentos feministas. Esses ganharam notoriedade no século XVIII, durante a Revolução Francesa, quando mulheres exigiam, principalmente, direito ao voto. Hoje, é possível apontar grandes ícones femininos por alcançarem ambientes antes masculinizados, como a intelectual Simone de Beauvoir, além da presidenta brasileira Dilma Rousseff.
Infere-se, portanto, que para o meio desfrutar dos preceitos deixados por Mandela, compete aos órgãos mundiais - como a ONU-, junto às mídias, empoderar, principalmente as mulheres para continuar lutando pelos seus direitos, por meio de divulgações de movimentos feministas, como o recente caso de Harvey Weinstein, o qual foi deposto de seu cargo devido às denúncias de mulheres que foram abusas pelo produtor. Tais ações visam a redução das barreiras que impedem o fim do assédio sexual, o qual ainda é justificado com argumentos injustificáveis, como por exemplo, fundamentar um abuso devido à roupa da vítima.