Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
Em pleno fervor de copa do mundo, um fato envergonhou o Brasil: um grupo de torcedores brasileiros gravou um vídeo com uma torcedora russa exaltando palavras de cunho sexual, e ela, sem entender absolutamente nada, divertiu-se presa pela barreira linguística, sem perceber que se tratava de um assédio sexual.
Não é de hoje que casos de assedio como este acontecem no Brasil. Segundo a campanha “chega de “FIU-FIU” idealizada pelas jornalistas Juliana Faria e Karin Hueck, 85% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio sexual.
Historicamente falando, a nossa sociedade foi estruturada em um modelo patriarcal, onde o homem tinha uma posição de superioridade em relação a mulher, e nessa inferiorização feminina, alguém se achou superior e com direitos em cima de outra pessoa, como por exemplo, o nosso periodo escravocrata, onde as escravas eram obrigadas a manter vários tipos de relações com os senhores de engenho e era algo banalizado, pois tratava-se de uma propriedade ou seja, a objetificação do corpo feminino.
Além do mais, o medo faz com que as mulheres sintam-se envergonhadas, faz com que a mulher sinta-se culpada pela roupa que está usando, o jeito que está andando ou até mesmo o jeito que está falando, o que alimenta o medo das vitimas e do julgamentos sociais, a culpa inverte os papeis de vitima e assediador e potencializa a imposição do sexo opressor. Nota-se hoje o reflexo dessas questões ao dizer “cultura do assedio”, mostra o quanto foi passado de geração em geração como algo normal, sendo inclusive, prova de masculinidade, fora de casa como sinal de desejo, dentro de casa para impor autoridade e no trabalho como sinal de poder.
Tanto que, esta imposição pode gerar danos físicos, psicológicos e morais gigantescos, sem contar que a vitima pode inclusive perder o emprego e o respeito social.
Portanto, medidas são necessárias para resolver este impasse, entender que vivemos em uma sociedade machista é o primeiro passo, o poder legislativo precisa desenhar leis mais rigorosas para o combate ao assedio sexual público e no trabalho, ampliar as delegacias de apoio á mulher, os governos estaduais em parceria com o ministério das cidades deve aprimorar as redes de iluminação e segurança pública, o governo federal em parceria com as empresas privadas precisa criar palestras para a conscientização do assédio sexual e criar uma rede de apoio junto ao ministério da saúde e segurança publica para acolher melhor as denúncias das vitimas e que a mulher sinta-se segura e respaldada para que ninguém afete a sua integridade e respeite-a como um individuo igual em direitos.