Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
A campanha criada na cidade do Rio de Janeiro “Não é Não”, realizada no ano de 2018 durante o carnaval tem como intuito a conscientização da sociedade perante o assédio sofrido, especialmente por mulheres, que é intensificado durante o período de festa no país. Tal campanha reflete em como o assédio ocorre em grande escala em todo o país, assim como no mundo. O perverso comportamento pode ser analisado como uma ação relacionada com uma sociedade machista e uma negligência de governos perante à problemática.
Em primeiro plano, é válido destacar como uma sociedade machista corrobora para o aumento dos desafios para redução do assédio sexual. Em muitos locais, a sociedade patriarcal, que possuía o homem como chefe da família e das decisões tomadas pelos mesmos dessa, ainda apresenta suas raízes em gerações atuais, como pode ser exemplificado no assédio, que possui relação direta com a objetificação de mulheres, as principais vítimas, quando as essas não possuem seus corpos respeitados e são violadas psicologicamente, fisicamente e moralmente. Nesse cenário, uma mudança de ideologia, que busca uma igualdade de gêneros, desde o espaço familiar até mesmo o profissional, se torna uma via para atenuar a ocorrência atual e futura de casos de assédio.
Sob outra ótica, é possível reconhecer como a negligência do governo intensifica a ocorrência de episódios de perseguição. Na França pessoas que praticam assédio em flagrante levam multas. Entretanto, majoritariamente, o Poder Judiciário e Legislativo muitas vezes não auxiliam vítimas de assédio, uma vez que julgamentos têm um grande tempo de duração, o que desestimula a denúncia a esses. Ademais, as leis acerca do crime de assédio nem mesmo existem em muitos países, se considerados os locais onde mulheres ainda são vistas como propriedade de seus maridos, sofrendo muitas vezes assédio de seus próprios companheiros, como no Líbano. Todo esse contexto se torna desfavorável e um verdadeiro desafio para aqueles que sofrem muitas vezes diariamente tais perseguições
Urge, portanto, o reconhecimento de que o assédio sexual ainda é uma problemática em todo em escala global, reflexos da postura do Estado e de uma sociedade que ainda carrega consigo conceitos de superioridade masculina. Portanto, cabe ao governo, por meio da criação de leis que punam agressores, as quais devem ser cumpridas e julgadas com seriedade, com o efeito de aumentar o amparo a pessoas que sofrem qualquer violação sexual e criminalizar o comportamento que ainda é visto como natural em alguns países, para que campanhas como as realizadas no Brasil não sejam necessárias e se tornem ultrapassadas.