Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
A Constituição Federal brasileira, de 1988,assegura a todos os indivíduos o direito à segurança. Contudo, nota-se que as mulheres, frequentemente, encontram-se destituídas desse devido a forte presença do assédio sexual na sociedade, o que se configura um grave problema. Dentre os causadores dessa problemática destacam-se a permanência de pensamentos patriarcais ,como também a grande banalização dada ao tema pela população.
Em primeiro plano, vale salientar que a manutenção de perspectivas patriarcais no corpo social é grande responsável pelos altos índices de assédio sexual no Brasil .Isso porque desde o período colonial instaurou-se o ideal de que o corpo da mulher é um objeto que pertence a um homem, gênero superior a ela .Por consequência ,esse pensamento perpetuou-se e, infelizmente , ainda é muito utilizado pela sociedade como uma forma de neutralizar o assédio, ao permitir a mulher ser tratada como um inferior, assim como a coisificação da mesma. Não é à toa que, mais de 85% das mulheres já tiveram seu corpo tocado por um homem ,conforme dados da campanha ´´chega de fiu fiu``.
Somado a isso tem-se o fato de que a população não dá a relevância devida a esse tipo de violência, contribuindo para a permanência dos elevados índices de abuso sexual. A respeito disso, a filósofa Hannah Arendt afirma que a violência ,por estar tão concretizada na sociedade, acabou sendo normalizada, algo que não deveria ocorrer. Tal perspectiva, de fato ,é verídica ,dado que o assédio sexual tornou-se algo não só habitual, como também não merecedor de atenção pelas autoridades, mesmo que seja uma grave forma de agressividade. Além disso, nem é considerado violência, na maioria das vezes. Por conseguinte os praticantes desse modo de agressão saem impunes ,ao passo que as mulheres continuam sendo assediadas.
É evidente, portanto ,que a continuidade de alegações patriarcais ,como também a ampla desvalorização oferecida ao assédio sexual são grandes ocasionadores da permanência desse no corpo social brasileiro. Sendo assim ,é responsabilidade do Ministério da Educação incluir nas escolas a disciplina Ética e cidadania, mediante alterações nas Diretrizes Curriculares Nacionais, essas aulas com o intuito de desconstruir o patriarcalismo enraizado na sociedade brasileira, deverão disseminar o hábito de respeitar as mulheres, como também instruir os discentes a não praticarem o assédio sexual. Ademais cabe ao Ministério da Segurança promover uma maior fiscalização sobre as práticas de assédio sexual, que por lei é considerado crime ,por meio da contratação de policiais específicos para tratar do assunto através da realização de concursos, a fim de que os praticantes do assédio sejam punidos, como também com o objetivo de que esse crime seja mais ressaltado e combatido.