Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
Sociedade androcêntrica
Desde a época da Revolução Francesa, o movimento feminista ganhou poder, em virtude do advento das ideias iluministas, que influenciaram, portanto, na luta pelos direitos igualitários entre os gêneros masculino e feminino. No entanto, é notório que hodiernamente a cultura estereotipada, com raízes históricas arraigadas, dotadas de patriarcalismo corroboram a perpetuação da dominação masculina no contexto social. Dessa forma, a cultura machista, em que a mulher é a vítima, porém, culpada, torna pertinente os casos de assédio e a fobia a denúncia; além de gerar problemas psicossociais. Nesse sentido, é necessário a adoção de medidas que mitiguem a problemática.
A princípio, a “dominação masculina” é interpretada por Pierre Bourdieu, de modo que para ele é caracterizada como uma violência simbólica, tratada com naturalidade pela visão androcêntrica do mundo, em que o homem é o “centro”. Assim sendo, a misoginia faz-se presente de maneira que as mulheres são tachadas como objetos sexuais impunemente.Visto que os casos de assédio são tratados como corriqueiros e, portanto, banalizados. Desse modo, as vítimas sofrem na maioria das vezes calada e se culpabiliza pela agressão.
Outrossim, na obra literária “A Cor Púrpura”, é retratada a história de uma garota que sofre abusos sexuais pelo pai e tem filhos com ele. Analisando tal ótica, é sabido que crianças e adolescentes vítimas de assédios crescem com distúrbios psicológicos e com receios de denunciar o agressor, gerando, portanto, problemas no convívios social desse indivíduo ou até mesmo suicídio. Ademais, a série “13 Reasons Why”, demonstra nitidamente o exposto, visto que apresenta a vida de uma adolescente que é assediada diariamente no colégio, fator que ocasiona transtornos psicossociais na garota, que finda por suicidar-se.
Infere-se, portanto, que assédio sexual é violência contra mulher, necessitando, portanto, ser mitigado. Logo, urge que o Estado, na figura do Poder Legislativo, desenvolva leis de tipificação como crime hediondo aos casos de assédios, para que sejam efetivamente atenuados. Além de criar delegacias específicas para que as mulheres sintam-se seguras em denunciar o agressor, sem a incerteza se serão atendidas, para que, assim, não sofram caladas e não perpetuem o problema como tabu social. Ademais, é necessário o desenvolvimento de acompanhamento das vítimas a psicólogos, as quais deverão ter apoios emocionais, para evitar transtornos psicológicos. Assim, poder-se-á garantir que a mulher não mais tratada como objeto e a visão androcêntrica da sociedade hodierna não seja perpassada para o futuro próximo.