Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
Assédio sexual: um paradigma a ser transformado
Historicamente as sociedades no mundo foram construídas de forma patriarcal e machista. Essa cultura sexista e opressora contra as mulheres persistente é possível ser vista mais claramente no oriente médio onde elas tem poucos direitos e precisam estar completamente vestidas para não incitarem o desejo masculino. Como se as mulheres fossem as únicas responsáveis pelos atos de assédio que por ventura um homem viesse a cometer. Embora de maneira menos ostensiva, o mesmo comportamento machista é encontrado em várias partes do mundo. Recentemente em 2017, atrizes famosas, como Angelina Jolie, denunciaram casos de assédio e abuso sexual no cinema de Hollywood.
No Brasil, o cenário se repete. Em pesquisa para a campanha " Chega de Fiu Fiu", as jornalistas Faria e Hueck relataram que 85% das mulheres entrevistadas já tiveram seu corpo tocado sem consentimento em ambientes públicos. Ademais, segundo o IPEA, ocorreram mais de 17 mil feminicídios no Brasil de 2009 a 2011. Diante desse contexto, os desafios para reduzir crime de assédio sexual são muitos e o enfrentamento essencial é desnaturalizar esse comportamento invasivo. Como o assédio sexual é uma violência que parte do desprezo pelos direitos do próximo, a luta das mulheres por direitos iguais não deve se restringir à igualdade de salários e obrigações.
Portanto, é mister uma maior conscientização de homens e mulheres sobre comportamentos de assédio sexual banalizados na sociedade. Essa transformação de paradigma social perpassa prioritariamente pela educação. Segundo o educador e filósofo Paulo Freire: " Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda". Assim, o ser humano empoderado de conhecimento torna-se mais crítico e capaz de transformações sociais. Esse tema deve estar contido nas ciências sociais da base comum curricular brasileira do ministério da educação, assim como deve estar presente na mídia em forma de campanhas do ministério público contra o assédio sexual. Além disso, o ministério da cultura deve incentivar a abordagem do tema nas produções da mídia televisiva. Outrossim, o ministério da justiça deve dar celeridade aos processos e a devida punição aos crimes por assédio sexual. Só com várias frentes de combate é possível reduzir um problema arraigado como esse.