Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
Estabelecida por Newton, a lei da inercia prescreve que a tendência dos corpos, quando nenhuma força for exercida sobre eles, é permanecer em seu estado natural. Ao aplicar esse conceito físico no contexto dos desafios para reduzir os casos de assédio sexual no país, percebe-se que a inexistência de ações corrobora na persistência dessa problemática. Nesse sentido, vale ressaltar a objetificação da mulher na mídia bem como a negligência estatal.
Composta por Chico Buarque, a canção “Mulheres de Atenas” faz um paralelo expondo a objetificação da imagem feminina desde a antiguidade à sua perseverança nos dias atuais. São constantes as denúncias sobre abusos e assédios sexuais cometidos contra pessoas do sexo feminino, porém, apesar de tais atrocidades serem noticiadas diariamente, a naturalização dessa criminalidade torna-se um obstáculo para o combate da mesma. Redes televisivas e mídias sociais são dois polos que colaboram diretamente para a coisificação do sexo feminino. Nesse meio, conteúdos exibem corpos femininos como fonte de prazer para o homem, ratificando a ideia de que esses possuem total acesso ao corpo da mulher.
Outrossim, são insuficientes as leis destinadas a resguardar pessoas do sexo feminino, posto que a Lei Maria da Penha, uma expressiva conquista dentro dos direitos das mulheres, assegura a proteção de vítimas de violência doméstica, mas não se estende a crimes como o assédio sexual. Tal negligência legislativa oportuniza a impunidade, possibilitando assim a conservação dessa banalidade. Quando o ativista Martin Luther King afirma que “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”, evidencia que o Estado tem sido omisso em sua função, desamparando a mulher e sustentando um sistema que inferioriza a mesma.
Nesse sentido, para que uma força seja exercida sobre esse corpo inerte e haja mudanças, é imprescritível que os meios de comunicações e mídias sociais deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher, elaborando conteúdos que se refiram as mesmas com equidade e denunciando violências cometidas contra esse sexo. Quanto ao Governo, cabe a esse promover leis a partir do legislativo que tenham como objetivo punir assediadores, impedindo que tal ato permaneça normalizado, proporcionando uma sensação de justiça e cidadania as mulheres, reduzindo dessa forma, os casos de assedio sexual.