Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 24/06/2018
No limiar do século XXI, o paradigma do assédio sexual ainda se constitui como um desafio para o pleno desenvolvimento da sociedade. Por um lado, o empoderamento feminino e a valorização da mulher tem dado voz aos casos de abuso.Por outro, a sexualização da mulher e sua objetificação são construtos sociais que reforçam tais comportamentos.
Os movimentos de emancipação feminina iniciados na década de 60 que visavam desconstruir a submissão da mulher e a sua exacerbada sexualização deram inicio a uma série de outros movimentos que chegaram a contemporaneidade reverberando máximas como sororidade e afirmação feminina. Tais movimentos, tem incentivado as mulheres a denunciar casos de assédio e unido todas em um só coro : o que reivindica o fim das práticas abusivas simbólicas e sistemáticas que permeiam a sociedade ainda hoje. Contudo, apesar dos avanços notáveis , o assédio sexual ainda não foi superado , pois o pensamento machista ainda persiste como Calcanhar de Aquiles da equidade de gênero.
Paralelamente ao empoderamento feminino, o perpassar de uma história patriarcal cristalizou no “DNA sociológico " do brasileiro os assédios cotidianos como práticas comuns e não criminosas. A perpetuação desse pensamento arcaico e omisso , reflete em comportamentos masculinos como - tocar mulheres na rua ou em transportes públicos sem o seu consentimento, ou constrangê-las verbalmente . Segundo dados do Instituto de Pesquisa da USP, cerca de 85 por centos das mulheres já foram tocadas indevidamente , e 92 por cento já foram vítimas de assédio verbal na rua. Dessa forma, uma cultura de abuso coloca em xeque o ideário democrático.
Parafraseando Marilena Chauí,é necessário o fim da permissividade ao assédio para a vitória sobre a subjugação feminina. Partindo da visão da autora, é condição sine qua non para a superação da naturalização do assédio, a promoção de políticas públicas que tenham como foco a maior severidade nas punições para os casos de assédio, e o incentivo à denuncia . Para tanto, o governo , com seu caráter socializante e abarcativo, deverá , em parceria com o Ministério público, garantir o cumprimento, com máxima severidade, para casos de assédio sexual , como medida exemplar ,visando garantir as mulheres a sensação de justiça efetiva ; a escola , formadora de senso critico, deverá promover debates em todas as séries , sobre a gravidade do assédio e a importância em combatê-lo , bem como outras formas sistêmicas de violência; a mídia, o quarto poder, deverá veicular campanhas sobre os tipos de assédio, o que fazer caso sofra o crime , e onde procurar apoio,visando informar as vítimas . Assim, retirando as pedras da culpa e do silêncio do caminho , construir-se-á uma sociedade genuína.