Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 25/06/2018

O assédio sexual, infelizmente, não é um assunto recente na realidade brasileira. Nesse sentido, é importante entender as origens desse ato, a fim de que seja possível combate-lo. Combate mais do que necessário, posto que essa violência acaba por impactar demasiadamente a vida daqueles que a sofrem.

Desde os primórdios do país canarinho, a violação sexual faz-se presente. Conforme narrativas do período colonial e relatos de historiadores, a estrutura do Brasil fundou-se sob os abusos e estupros sofridos, inicialmente, pelas mulheres indígenas e, posteriormente, pelas escravas. Dessa forma, é inegável a participação do assédio sexual na formação cultural do país. Assim, constitui-se como um dos principais desafios para o combate desse imbróglio a chamada cultura do estupro, a qual legitima situações como cantadas, toques impróprios e objetificação do corpo da mulher, através de obras como músicas, filmes e até novelas. Como resultado disso, índices como o da organização internacional ActionAid, os quais relatam que 86% das mulheres brasileiras ouvidas pela organização sofreram assédio em público em suas cidades, propagam-se, fazendo com que a noção de que a mulher não deve ser respeitada alastre-se.

No entanto, os obstáculos para embate do assédio sexual não estão somente nas raízes sociais desse problema, mas também no acolhimento das vítimas. Segundo dados do Ipea, apenas 10% dos estupros são denunciados no Brasil, cerca de 50 mil por ano, entretanto, se todos fossem denunciados, seriam em torno de 500 mil. Esses números levam a questionamentos pertinentes aos motivos que levam as vítimas a não denunciarem: é relevante elencar o baixo número de Delegacias da Mulher no país, as quais seriam ideais para denúncias de crimes como abuso e violência doméstica, e, nas unidades existentes, o despreparo dos funcionários para lidarem com pessoas em estado frágil. Ademais, a influência da supracitada cultura do estupro também é notável nesta etapa, visto que, muitas vezes, quem foi assediado acredita que não deve relevar o crime, com medo de reprimendas.

Portanto, diante da triste persistência do assédio sexual no país, são necessárias ações. É essencial que, a fim de eliminar os ideais machistas na sociedade, as instituições escolares criem projetos de conscientização, com foco nas crianças e adolescentes, esses abordando a importância do respeito e igualdade de gênero. Além disso, também é primordial a implantação de mais Delegacias da Mulher, através de recaptação de recursos por parte do Estado, as quais devem conter funcionários mais preparados, visando melhor amparo às vítimas de assédio. Desse modo, será possível, no futuro, que o Brasil possa livrar-se de heranças históricas tão abusivas quanto o assédio.