Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 02/07/2018

‘’Um povo de bem que mal’’. Essa é uma frase da música ‘’O meu país’’ que Zé Ramalho compôs na década de 70. Percebe-se a atemporalidade dessa obra, uma vez que diversos problemas são evidentes na sociedade brasileira. Dentre eles, mulheres vítimas de assédio sexual sofrem de violência física, verbal e psicológica porque sentem o machismo histórico e conservador do país. Para essa realidade mudar, é necessário atuar na causa do problema que provém ,principalmente, da falta de uma educação crítica e do pouco respeito na cultura brasileira.

A primeira razão para se associar as falhas educacionais do Brasil com os abusos que diversas mulheres toleram por dia está no fato de que sem um pensamento crítico muitos homens tendem a objetificar a imagem feminina. Nesse sentido, desde a época colonial Manuel Bonfim já dizia que a educação era a ‘’chave para melhora da nação’’. Todavia, a República Federativa do Brasil nunca investiu nesse bem como deveria. Comprova isso os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio mostrarem que mais de 8% de brasileiros são analfabetos funcionais. Destarte, sem o hábito de pesquisar, refletir e debater as mazelas sociais do Brasil, certos homens assediam mulheres na rua verbalmente porque consideram o fato ‘’normal’’ ou praticam outros tipos de constrangimento a esse público porque o vê de forma desrespeitosa.

Adjacente a isso ocorre que a cultura conservadora nacional ajuda a promover mais casos de assédios no país. Nessa perspectiva, muitas crianças crescem em um meio que desvaloriza as mulheres. Exemplifica isso a realidade em que muitos pais as assediam nas ruas ou em casa na frente dos filhos, e pensam que essa atitude reforça sua masculinidade e poder para as crianças. Por conseguinte, os menores tendem a reproduzir essa cultura já que segundo Kinner -pai da psicologia comportamental- a personalidade é influenciada pela criação familiar.

Fica evidente, portanto, que o MEC (Ministério da Educação) deve qualificar professores, através de cursos semestrais, para que eles cumpram a Base Nacional Curricular Comum no sentido de formar cidadãos que respeite o próximo e queiram aprender e refletir sobre os abusos que a figura feminina é vitima. Também, é crucial que líderes de associações de bairros com apoio de ONG’s voltadas à família , através de dados e pesquisas, façam palestras, panfletos e programas em escolas onde o índice de abuso à mulher é alto. Essas atitudes devem mudar a mentalidade machista no Brasil e reforçar que a masculinidade de um homem é mais evidenciada quando ele trata uma mulher bem .