Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 28/06/2018

O Iluminismo, movimento ideológico do século XVIII, foi responsável pela reflexão - e posterior criação - de conceitos que até hoje influenciam de maneira substancial a sociedade, como a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Dentre essas garantias, estão o direito à paz, assim como à integridade física e psicológica do cidadão. Porém, é notório que, na atual conjuntura, essas garantias não são respeitadas por todos, visto que muitas mulheres têm sua integridade violada ao sofrerem assédios sexuais - seja na rua, por desconhecidos, seja dentro do próprio ambiente de trabalho ou estudos -,  que implicam em consequências físicas e psicológicas à vítimas.

É notório, primordialmente, que a representação da mulher enquanto submissa ao homem existe desde a Antiguidade, quando sua única função era a reprodutiva. Esse cenário vai ao encontro da teoria de violência simbólica, de Pierre Bordieau, que constitui uma forma de violência sem coação física, como uma tentativa androcêntrica de impor obediência. Fundamentados nesse pensamento patriarcal, alguns homens se veem no direito de assediar as mulheres - fisicamente ou não -, situação que causa desconforto e danos psicológicos às vítimas. A banalização do assédio devido à objetificação da mulher ajuda a perpetuar esse tipo de violência tão recorrente na vida delas.

Além disso, ainda há uma grande quantidade de mulheres que não notificam os assédios, tornando o número de denúncias ainda baixo; segundo o jornal BBC, o número de casos registrados corresponde a aproximadamente 15% do total de mulheres que sofreram assédio. Entre os vários motivos que causam essa retração, o principal é a culpabilização da vítima, na qual a mulher é considerada responsável pelo acontecido - seja pela vestimenta que estava usando, seja pelo local onde estava no momento. A vergonha, o medo de serem hostilizadas e o sentimento de culpa fazem com que as mulheres não denunciem os assediadores, o que dificulta a punição desses e torna-se um desafio para o combate dos casos de assédio sexual.

Portanto, mediante os fatos expostos, torna-se evidente a necessidade de mudanças nesse cenário. É dever das escolas, em simbiose com o Ministério da Educação, promover palestras e atividades que ajudem a acabar com a cultura do machismo, a fim de moldar futuros homens que respeitem as mulheres. O Ministério da Justiça, por sua vez, juntamente com os veículos midiáticos, deve investir em campanhas de denúncias anônimas, com atendentes capacitados e núcleos de apoio psicológico, a fim de dar segurança às vítimas que desejam denunciar. Dessa forma, será possível diminuir a força da violência conceituada por Bordeau e minimizar os casos de assédio sexual sofridos pelas mulheres brasileiras.