Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 26/06/2018
Desde que a razão floresceu no mundo moderno e contemporâneo, a mulher deixou, em partes, de ser objetificada e socialmente excluída, e obteve inúmeras conquistas que permitiram sua maior participação social. Entretanto, mesmo diante de progressões, como a criação de delegacias de assistência à mulher, tal parcela da população ainda sofre abusos e assédios sexuais. Nesse sentido, é por falhas legislativas e graças à cultura secular, que prega valores machistas, que o problema persiste.
Em primeiro plano, vale salientar que não se deve perdoar e separar assédios banais de agressões sexuais incomuns, pois ambos os atos constituem uma progressão de um raciocínio patológico. Dessa forma, ao menor sinal de assédio sexual, a vítima deve se dirigir a um agente policial ou segurança local e ir à delegacia de atendimento à mulher, para denunciar o infrator, na tentativa de frená-lo de uma outra possível futura tentativa de assédio. Isso, indubitavelmente, contribuirá para o bem-estar social, haja vista que cerca de 85% das mulheres brasileiras, segundo a revista Exame, foram vítimas de assédios sexuais em locais públicos e praticamente a totalidade de tal percentual não gostou.
Ademais, é necessário mensurar o quanto a influência machista afeta negativamente no mercado de trabalho feminino e as consequências disso. Isso ocorre, por exemplo, devido à reprodução de ideias erradas, como as de que o ciclo hormonal e menstrual da mulher, bem como a gravidez afetam gravemente a produtividade feminina. Devido a justificativas com essas, a empregabilidade da mulher fica comprometida, suas habilidades subestimadas e o pior: muitas são submetidas a assédios sexuais para não serem demitidas. Contra isso, mulheres como Frida Kahlo, que com poliomelite, acidentes e particularidades biológicas do sexo feminino, difundiu sua genialidade artística mundialmente, comprovam que não há diferença de produtividade entre sexos e empoderam as mulheres a resistirem a ideias errôneas, a não aceitarem se submeter a assédios sexuais e outras humilhações.
Portanto, infere-se que o assédio sexual é um crime que, para Jean Paul Sartre, implica em uma derrota social. Assim, para conter os casos de assédio sexual, primeiramente é necessária uma legislação alterada pelo Estado, que não puna o infrator com pena alternativa e sim com uma pena severa, tal qual a de um estupro, de forma a cessar inicialmente a progressão de um raciocínio patológico que culmina em estupros e violências, e faça com que um outro possível infrator tema a lei e pense antes de agir. Ademais, faz-se necessário que o Ministério da Cultura difunda campanhas publicitárias que incentivem a mulher a denunciar casos de assédio em delegacias específicas e campanhas que apurem a sensibilidade masculina para desconstruir a cultura machista e faça o homem refletir antes de agir, tanto quanto se as vítimas fossem familiares, como mães e irmãs.