Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 01/07/2018
Os movimentos feministas no Brasil, iniciados no século XIX, reivindicavam, principalmente, o direito ao voto e à educação feminina. Na atualidade, os mesmos movimentos lutam tanto pelo empoderamento feminino quanto pela não objetificação do corpo da mulher. Nesse cenário, deve-se analisar como a dominação masculina e uma sociedade falocêntrica corroboram para os casos de assédio sexual.
A priori, de acordo com Bourdieu, o Estado e outras instituições são responsáveis pela prática de violências simbólicas que naturalizam a dominação do masculino sobre o feminino. Essas violências, são reproduzidas de forma consentida e de modo imperceptível por toda a sociedade. Em vista disso, em casos de assédio, nota-se uma tendência de culpabilizar as mulheres sem reconhecer o caráter arbitrário de tal ação, pois a dominação masculina é legitimada socialmente por todos indivíduos.
Ademais, na sociedade falocêntrica é notável a enfatização da superioridade masculina. Por consequência, a objetificação do corpo feminino em propagandas e outras mídias é resultado de um estereótipo criado estritamente para o gosto masculino. Entretanto, a fim de combater tal objetificação notada nos comerciais, foi aprovado, em 2017, pelo Congresso Nacional, um projeto de lei que proíbe propagandas sexistas, que contribui diretamente para diminuir a reprodução da imagem da mulher como objeto e submissa.
Dado o exposto, é necessário a adoção de práticas que contestem o androcentrismo. O Ministério da Educação deve incluir nos temas transversais do Ensino Médio o estudo sobre as questões do machismo e feminismo, a fim de formar cidadãos que questionem a dominação masculina naturalizada na sociedade. Além disso, o Governo Federal, por meio de campanhas nos meios midiáticos, deve continuar promovendo a conscientização da população sobre o assédio sexual e incentivando, consequentemente, a denúncia. Somente assim essa situação será solucionada efetivamente.