Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 28/06/2018
8 de março
Muito antes do movimento sufragista, no século XX, as mulheres que haviam enfrentado dificuldade que se estendem até o cenário atual. Nesse contexto, a herança de uma sociedade patriarcal e machista e o medo da denúncia por conta de uma possível represália contribuem para a permanência desses desafios.
Desde a infância, crianças são educadas em um ambiente no qual, culturalmente, a figura feminina é inferiorizada e prova disso, são as normas sociais repassadas às meninas: não usar roupas curtas, não sair sozinha, ajudar nas tarefas do lar. Todavia, tais concepções são inaceitáveis e insuficientes para protegê-las, uma vez que os meninos é ensinado o oposto: pouca exigência quanto à vestimenta, liberdade de locomoção, trabalho doméstico nulo ou facultativo. Nessas circunstâncias, há margem para os casos de assédio, pois ocorre a crença de superioridade masculina, baseada em um legado que recusa a equidade de gênero. Dessa forma, repensar comportamentos tão naturalizados e que o corpo social, ainda, perseverante, exige das mulheres é o primeiro passo para conter os episódios de violência contra elas.
Ademais, delatar assediadores é sinônimo de futuras retaliações para as mulheres. Em um ambiente profissional, por exemplo, existe a predominância masculina nos cargos de alta ocupação e denunciar torna-se um dilema, uma vez que há o risco de perder seu emprego. Em um acontecimento recente, a atriz Gwyneth Paltrow, dentre outras profissionais, denunciou o produtor Weinstein por assédio sexual dez anos após o ocorrido, pois, segundo ela, tinha medo de não conseguir outros papéis e ter sua imagem denegrida. Para a maioria, o silêncio é a opção evidente e, por isso, no momento atual, ainda é tão difícil pôr fim a esse entrave.
Portanto, para que esses desafios terminem, medidas devem ser tomadas. Os pais, durante a formação da criança, precisam tornar compreensível a igualdade de gênero por meio da neutralidade de brinquedos, cores e profissões com a finalidade de que haja espaço para a criança se devolva integralmente. Além disso, segundo Immanuel Kant, é no problema educacional que assenta o segredo do aperfeiçoamento social. Logo o papel do Ministério da Educação, por meio das escolas é crucial para que, mediante palestras aos estudantes, haja preparo desses para a desmistificação da denúncia contra o assédio, estimulando desde cedo a busca pela igualdade e a aversão a esse ato. Assim, o dia 8 de março poderá ser verdadeiramente comemorado.