Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 29/06/2018
Na mitologia grega Cassandra ao rejeitar o “amor” do deus Apolo, é amaldiçoada por ele e ninguém mais acredita em suas profecias. Sua história se assemelha à de muitas mulheres nos dias de hoje. Mulheres que precisam escolher entre submeter seus corpos ao desejo masculino ou serem descredibilizadas em suas denúncias contra o assédio sexual que sofrem.
Vivemos em um mundo predominantemente patriarcal onde a maioria das posições de poder e chefia ainda são ocupadas por homens. Os mesmos homens são estimulados a fazer sexo com o maior número de mulheres possível, e muitos se aproveitam de sua posição privilegiada pra isso. Foi o que fez Dominique Strauss-Kahn, ex diretor do FMI, que foi acusado por diversas mulheres de assédio e abuso sexual, dentre elas a camareira de um hotel em que ele se hospedou em Nova York.
Em paralelo a isso, quando mulheres se negam a passar por esse tipo de situação, essas têm seu discurso ridicularizado e deslegitimado. Não é incomum a vítima ser rotulada como mentirosa, ou até histérica, louca e desequilibrada. Algo parecido aconteceu com Diallo, quando denunciou Strauss-Kahn. Muitos jornais tentaram diminuir a relevância de sua declaração revelando que ela chegou nos EUA como ilegal. A própria Justiça soltou o suspeito depois de desconfiar de seu depoimento.
Isso posto, para trazer mais dignidade às mulheres brasileiras é necessário intervir na raiz do problema, que é cultural. Deve ser redigida pelos deputados federais uma lei que atribua incentivo fiscal, ou compensação financeira no caso de instituições públicas, para as escolas que incluírem em suas grades curriculares debates sobre questões de gênero e feminismo em sala de aula do Ensino Médio. Dessa forma cada vez menos mulheres sofrerão da maldição contemporânea de Cassandra.