Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 30/07/2018

Aurélia, personagem emblemática da obra “Senhora” de José de Alencar é uma mulher forte, corajosa, inteligente e muito respeitada pela sociedade. Hordiernamente no Brasil, sabe-se que existem muitas mulheres como Aurélia, mas, que ao invés de serem respeitadas pelo que são, acabam sofrendo humilhações e constragimentos diários em locais públicos e privados, tendo a integridade de seus corpos seriamente ameaçadas. Tais atitudes constituem o crime de assédio sexual, e tem como fatores fomentadores, o legado histórico-cultural de machismo e submissão feminina, a ineficácia no processo de denúncia, e a objetificação da figura feminina pelos meios midiáticos em geral.

É impreterível salientar que o ato de assédio fere de forma hedionda os princípios democráticos presentes na Carta Magna Brasileira de equidade de gênero, direito a segurança, de ir e vir, e de integridade física e moral dos indivíduos. Todavia, mesmo condenado juridicamente, o ato de assédio persiste na sociedade devido o longo processo histórico no qual a mulher foi colocado como submissa e inferior a figura masculina. Devido a isso, tal altitude acabou sendo naturalizado e muitos homens ainda se veem no direito de cometer esse crime.

Ademais, ressalta-se que a objetificação feminina, ratificada pela mídia por meio de propagandas televisivas, músicas, filmes e campanhas publicitárias em geral, é um dos aspectos potencializadores desse percalço. Afinal, é de conhecimento geral o poder coercitivo que a mídia exerce sobre os indivíduos, e ao colocar situações que reduzem a mulheres um mero objeto, mesmo que de forma tácita, acaba fortalecendo o pensamento machista que já é instituicional na sociedade brasileira. Outro fator de que ser destacado é o processo de denúncia, que por ser lento e muito burocrático, muitas vezes é ineficaz e não oferece a vítima a assistência necessária.

É indubitável dessa forma que o Estado venha por meio de políticas públicas e investimentos pontuais resolver esta problemática. Cabe o Estado, na figura de poder executivo, a atribuição de aumentar o número de delegacias da mulher para recolher denúncias e punir agressores. Além de maior celeridade nos julgamentos, e assistência psicológica, médica e jurídica devida ás vítimas. É impreterível também que a escola em consonância com ONG’s de proteção à mulher e direitos humanos, venham fazer campanhas informativas abertas a todos sociedade sobre equidade de gênero, valorização feminina, e como ajudar uma vítima de assédio em locais públicos e privados. Por fim, é necessário que a mídia em conjuto com a iniciativa privada venham ratificar esse processo de conscientização, e por meio do seu poder coercitivo, influenciar positivamente a população sobre o respeito a figura feminina.