Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 30/06/2018
O reflexo do estilo patriarcal das relações familiares e sociais, estabelecidos historicamente, alcançou vários segmentos da vida humana. A figura masculina, como consequência desse modelo, sempre ocupou um patamar de superioridade frente à feminina. Essa inferiorização social das mulheres gera um quadro preocupante no que tange à violência de gênero, pois agrava os casos de assédio sexual contra elas e nos leva a uma necessidade de mudança emergencial desta realidade.
O modelo atual de sociedade foi construído com o homem ocupando a posição base de sua sustentação. Sempre foi ele o ocupante dos cargos de prestígio social, como o trabalho, a política, as universidades, entre outros. Diante dessa situação, a mulher foi ficando em segundo plano, pois ela estava à cargo dos afazeres “menos” importantes, como cuidar da família e do lar. Essa situação ecoa em vários campos sociais, onde a violência está incluída, pois com a diminuição de sua representatividade social, a mulher virou uma espécie de objeto masculino, onde sua função é a de atender os seus desejos. O assédio sexual sofrido por elas, seja no presente ou no passado, é um tipo de violência que é consequência desse retrato desigual dos gêneros. Nos vários casos desse tipo de abuso, o homem com seu machismo intrínseco, objetifica a mulher e se acha no direito de proferir palavras de cunho sexual contra ela, quando não, esse abuso se torna fisicamente violento.
Com o impulso das novas tecnologias informacionais, esses casos se tornaram mais públicos. Muitas mulheres tomaram a iniciativa de relatar o assédio sexual sofrido por elas em vários ambientes. Nem mesmo estrelas de cinema ficaram imunes à essa violência, como ficou evidenciado em denúncias recentes. Mais uma vez ficou claro que o homem usou de sua posição hierárquica para cometer esse tipo de crime. Embora relatos como esse encorajem mulheres a denunciarem os agressores, muitas ainda não o fazem por diversos motivos. Muitas delas tem uma relação de proximidade e dependência com seus assediadores, pois são eles, muitas vezes, seus colegas e chefes de trabalho, vizinhos e familiares. Mas vários outros, sem essa relação, praticam esse assédio em locais públicos, como metrôs e coletivos urbanos, geralmente com o argumento que elas gostam, por incrível que pareça, dessa situação constrangedora e apavorante em muitos casos.
Perante essa realidade lamentável, o governo tem papel fundamental no combate à essa prática abusiva. Ele pode criar e ampliar canais de denúncias junto aos órgãos de segurança pública, criar leis mais punitivas e arrochar possíveis brechas existentes. As ONG’s femininas tem igual importância nesse cenário, dando voz e sendo a voz dessas vítimas na exposição dos infratores. As escolas devem conscientizar os alunos, principalmente os meninos, a respeitar as mulheres como figura social.