Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 30/06/2018
Os famosos olhos que sempre foram para o escritor Machado de Assis o espelho da alma, eram também o espelho do corpo e do comportamento feminino. As mulheres machadianas não são vistas como frágeis ou passíveis do domínio machista, conduzem suas aspirações e esperam do destino muito mais que um comportamento ideal e restrito coagido pela sociedade patriarcal.
Segundo Mary Del Priore, a mulher encontra-se presa na sua própria existência, nunca foi mais do que seu próprio corpo, acresce que são terras desconhecidas, territórios que foram durante séculos mapeados, interrogados e decodificados pela imaginação masculina. Inegavelmente, a persistência das discriminações contra as mulheres revela a necessidade que temos de avaliar profundamente as suas raízes e associar um compromisso com a coibição que fixam papéis rígidos para homens e mulheres em um ambiente que age como forte barreira para a efetivação de direitos.
Por conseguinte, a cultura do machismo sustenta-se na tentativa de silenciar os efeitos que os seus abusos acarretam. Porquanto, o assédio sexual começa quando a sua manifestação, alheia à vontade da vítima, ultrapassa o caminho mesmo sem o seu consentimento, causando-lhe constrangimento, medo e humilhação, independentemente da sua condição. Tornar-se mulher é uma viagem árdua e longa, existem desafios e a busca pelo equilíbrio nessa relação de poder é o seu mais sublime objetivo.
Urge, portanto, que a empatia consiga ser a pioneira na permuta de caráter social. Desta forma, o Ministério da Comunicação associado à empresas publicitárias devem assegurar uma parceria que, por meio do apoio e de subsídios governamentais, promovam campanhas que estimulem a denúncia por parte da vítima, o senso crítico e um direcionamento político contra o arquétipo da objetificação da mulher , isto é, lutar pela ordem e pelo progresso de uma aquarela brasileira.