Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 02/07/2018

Escândalos em Hollywood. Insinuações no transporte público. Figurinista de rede televisiva denuncia celebridade. Em comum, as manchetes compartilham a temática: os assédios sexuais. Apesar dos avanços na conquista de direitos femininos, o cenário machista e a cultura permissiva ao assédio, que objetifica e inferioriza a mulher, são um retrocesso para a implementação da equidade e justiça social. Ademais, a falta de conscientização e os julgamentos da sociedade, alimentados pelo patriarcalismo, inibem as vítimas de denunciar e aumentam os desafios do combate aos assédios sexuais.

Inicialmente, o machismo enraizado e naturalizado através de anos de manutenção dos seus valores é o principal propagador e normatizador de práticas sem consentimento. Sob a face de comentários inofensivos, elogios e situações benéficas a ambos, intimidações, agressões verbais e até mesmo estupro são descaracterizados e minimizados, tal como a dignidade das vítimas. Tal cultura permissiva foi comprovada através de reportagem televisionada pelo programa “Fantástico” ao encenar situações de assédio sexual e revelar as reações neutras da população diante de comentários sexualizados e até contato físico.

Soma-se a esse quadro a ausência de denúncias e criticidade social, resultantes da naturalização da cultura patriarcal, o que dificulta a redução dos casos de assédio sexual. A medida que a violência sexual -seja ela física ou verbal-¬ é minimizada, desconsiderada e até justificada pelo comportamento da vítima feminina, a queixa é raramente formalizada pelo temor da consequente ridicularização e culpabilização da vítima pela sociedade – cuja repetição de discursos sem criticidade revelam a falta de conscientização quanto à subjugação e objetificação feminina na corrente machista. Prova disso é o recorrente enfoque e julgamento da vida e do comportamento da vítima, enquanto o transgressor e o crime transcorrem em segundo plano, quando casos de violência sexual são denunciados.

Assim, tais problemáticas são desafios evidentes para a redução dos casos de assedio sexual e, portanto, requerem intervenção. Cabe ao Ministério da Educação, através da veiculação de materiais elaborados por pedagogos e especialistas, incentivar a conscientização quanto ao caráter ofensivo e criminal de atos sem consentimento, que correspondem à violência sexual, como forma de inibir a propagação de valores machistas e opressores. Além disso, ONGs e a mídia televisiva podem, juntas, promover reportagens, documentários e campanhas que, por meio de relatos de vítimas e estudiosos do assunto, alertem a sociedade para a gravidade dos casos de assédio e da propagação da cultura machista, incentivando as denuncias e o combate aos casos de assédio para uma sociedade mais justa e igualitária.