Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 03/07/2018

Na obra “Raízes do Brasil”, o sociólogo Sérgio B. de Holanda disserta sobre alguns aspectos preponderantes no povo brasileiro, caracterizada como uma nação patriarcal, sentimentalista e constantemente influenciada pela religião. Posto isso, é possível notar que tais aspectos podem, erroneamente, refletir de forma negativa no cotidiano de alguns setores sociais, ao passo que tendem a ser apresentados de modo tirânico, refletindo em atos de machismo, discriminação e intolerância. Desse modo, percebe-se a formação de uma conjuntura instável para certas minorias do cenário brasileiro, como as mulheres, fazendo com que sejam vítimas de uma cultura de assédio enraizada nas características de seu próprio povo.

Inicialmente é necessário atinar para o modo como esse assédio é apresentado no cotidiano, visto que pode ser manifestado sob perseguição moral, psicológica e, principalmente, sexual. Com isso, nota-se que as mulheres encontram-se em um cenário de vulnerabilidade, uma vez que tornam-se objetos de manipulação e coação social, sendo repreendidas por companheiros, chefes de trabalho e agentes midiáticos, sendo suas liberdades individuais desrespeitadas por um ciclo vicioso de desigualdade de forças. Dessa forma, percebe-se que os aspectos retratados na obra “Raízes do Brasil” permitem que a cultura do assédio permaneça camuflada e enraizada em sociedade, pois, em uma nação na qual o machismo e a discriminação preponderam, os direitos sociais tornam-se restritivos, sendo a figura da mulher depreciada e oprimida por ações que tendem a ser historicamente estabelecidas como “aceitáveis”.

Ademais, outro ponto a ser validado nesse debate diz respeito sobre as consequências oriundas de tais assédios. À vista de tal cenário de instabilidade, o cotidiano de muitas mulheres tende a ser circundado por atos de abuso e de repressão moral, o que fomenta um crescente sentimento de incapacidade nas vítimas e promove, paulatinamente, uma menor participação da figura feminina na conjuntura social e política do país. Destarte, o grupo social das mulheres não consegue vivenciar por completo seus direitos de liberdade e expressividade no país, fomentando para que sua composição social seja corrompida, pois, para o filósofo John Locke, o ser humano é formado por meio de experiências, ações e contextos, ao passo que as mulheres brasileiras encontram-se, erroneamente, limitadas a vivenciar aspectos sociais de abusos e cenários de discriminação.

Diante do exposto, torna-se evidente, portanto, que as mulheres são vítimas de uma cultura de assédio socialmente enraizada no Brasil. Isto posto, para mitigar tal cenário, é necessário que o Governo, por meio de ações midiáticas, caracterize vigorosamente o assédio como crime e retifique as consequências constitucionais desse ato, a fim de romper com a inércia histórica-social perante ao abuso. De mesmo modo, as escolas devem enaltecer a figura da mulher como cidadã, com projetos comunitários e educacionais, que visem assegurar a liberdade feminina e sua participação no contexto social, permitindo, assim, que a obra Raízes do Brasil torne-se apenas uma ficção para a sociedade brasileira.