Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 02/07/2018
A difícil tarefa em tornar-se mulher
Durante a Copa do Mundo de 2018, inúmeros foram os casos de assédio sexual contra mulheres, estivessem elas trabalhando ou torcendo. Esses acontecimentos são reflexos da difícil tarefa de ser mulher numa realidade de violência física, psicológica e do sentimento de impunidade. Diante disso, é imprescindível que essa situação seja compreendida e que soluções eficazes sejam, não só elaboradas, mas também colocadas em prática.
Em um primeiro aspecto, é válido analisar que na maior parte da história da humanidade, o que prevaleceu foi uma relação desigual entre os gêneros, em que a existência da mulher era resumida a gerar filhos e cuidar do lar. Um exemplo clássico é a Grécia Antiga, em que o ser cidadão com direitos não envolvia o sexo feminino. Como consequência, esse tratamento excludente contribuiu para gerar diversos desafios que as mulheres têm enfrentado até hoje, como assédio sexual, violência doméstica e o feminicídio.
Apesar de conquistas como participação política, mercado de trabalho, educação superior e Lei Maria da Penha, as diversas formas de violência ainda persistem. Assim, a cultura do estupro e do assédio é, além do aspecto cultural, reflexo de um sistema judiciário que falha em fazer cumprir a lei. Dessa forma, essas lacunas deixam impunes os agentes desses crimes que, como num ciclo cruel e vicioso, voltam a reincidir.
Fica evidente, portanto, que essa temática deve ser tratada como prioridade pelo Estado. Assim, o Poder Judiciário deve trabalhar para que as leis voltadas para combater crimes contra mulheres sejam cumpridas, intensificando a fiscalização, de modo a impedir que haja um sentimento de impunidade e que essas violações voltem a acontecer. No mais, é interessante que o Estado apoie ONG’s que defendam as causas femininas, viabilizando parte das verbas arrecadadas, para que essas organizações trabalhem em campanhas, passeatas e propagandas. Desse modo, como propõe a filósofa Simone de Beauvoir, a mulher poderá tornar-se aquilo que quer ser, com liberdade e segurança.