Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 09/07/2018
A culpa não é dela
No seriado norte-americano Law & Order ( Lei e Ordem), são retratadas as dificuldades que as mulheres encontram em denunciar seus agressores. Essa grande problemática pode ser enquadrada na “Anomia” de Dahrendorf, sociólogo alemão, que é uma espécie de anarquia social, quando as normas existem, mas não funcionam. Um de seus principais sinais é o silêncio das vítimas, que ao descrer no poder de punição do Estado, não comunicam os crimes. Ao realizar um paralelo, a figura feminina fica vulnerável às injustiças, muitas vezes promovidas até mesmo pela sociedade, com pré julgamentos, e pelas autoridades, através da impunidade.
Outrossim, ao analisar a série estadunidense, a policial protagonista Olivia Benson presencia diversos cenários em que a mulher apresenta resistência para delatar seus agressores, justamente pelos mesmos participarem de similares convívios sociais. Pesquisas revelam que grande parte dos assediadores pertencem à esferas laborais, como colegas de trabalho e superiores,além de esferas cotidianas, como estranhos em meios de transportes e até por familiares. Além disso, as abordagens são feitas através da escolha da vítima, que é isolada de um grupo social. Porém, mesmo quando não é considerado estupro, constantes coações causam baixa autoestima, intimidação,insegurança, humilhação e problemas de saúde às sofrentes.
Ademais, no ponto de vista histórico, a mulher, como detentora de inferioridade perante o homem, segundo uma sociedade patriarcal, fora objetificada como meio de conquista e posse. Enquanto isso, a figura masculina fora incentivada a exaltar sua virilidade, mesmo que por meio de impulsos. Na sociedade contemporânea, resquícios desses pensamentos podem ser observados quando é atribuído à mulher a culpa pela violência sofrida. A vestimenta, as condições fisiológicas ( ingestão de bebidas alcoólicas ou drogas) e localidade são detalhes erroneamente considerados quando uma mulher tenta denunciar assédios. Todavia, ironicamente, algumas Delegacias da Mulher são dirigidas por homens, que muitas vezes menosprezam o sofrimento das vítimas dando “razão” aos agressores.
Por fim, com o objetivo de dirimir ocorrências de abusos, é de fulcral importância que se implementem medidas como a criação de um Código de Ética, pelo Ministério do Trabalho, que expresse a posição das empresas perante essas ocorrências, fornecendo a instalação de uma área de Recursos Humanos, que se encarregará de averiguar as denúncias e encaminhá-las para Delegacia da Mulher, sem distinção de cargos. Além disso, o Ministério de Segurança Pública deveria instituir que essa delegacia teria que ser administrada por mulheres, para aumentar a identificação com as vítimas.