Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 15/07/2018
O conto de Clarice Lispector, " A língua do P “, retrata os passos de Cidinha que, em vista de um iminente estupro , finge ser uma prostituta e sai ilesa da situação.Fora da ficção, milhares de mulheres não conseguem fugir, haja vista a normatização da dinâmica machista , pautada em cantadas ofensivas e comentários misóginos nas redes sociais. Nessa realidade, apesar do avanço da força feminina ao longo da história, ela ainda sofre com a cultura do assédio, que vai além das ruas e permeia o âmbito de trabalho e o meio midiático.
Em primeira análise, é importante ressaltar o avanço do papel da mulher no cenário laboral, primordialmente a partir das Revoluções Industriais, posto que aumentou gradativamente os direitos femininos e fomentou a luta pela igualdade.No entanto,relatos de assédio e preconceitos no local de trabalho ainda permanecem vigentes, mesmo após as diversas conquistas femininas nesse meio.Analogamente a esse pressuposto ,a campanha " Deixa ela trabalhar”, realizada no início desse ano por jornalistas esportistas, onde expõem os abusos e as condições patriarcais que ainda é latente no mundo do esporte, mostra que ainda falta muito para garantir a equidade entre homens e mulheres.Tal fato evidencia que é imprescindível a redução e mitigação da violência contra a mulher. Outrossim, é inegável que os meios de comunicação negligenciam e objetificam a mulher, logo, o corpo social dissemina o feminicídio como um fenômeno corriqueiro e natural.Dessa forma, a filósofa alemã Hanna Arendt aborda em suas obras sobre o conceito de " banalidade do mal", em que grande parte da sociedade aceita as barbaridades cotidianas sem questionar ou julgar.Sob tal ótica, mensagens obscenas , de teor sexual, que denigrem a imagem da mulher são espalhadas diariamente e, infelizmente, encontram uma massa diversa que propaga as piadas machistas como humor gratuito ou até mesmo transforma gestos vulgares em letras de música aclamadas pela mídia.
Urge, portanto, que medidas sejam feitas para reduzir o assédio sexual. Com isso, é preciso que o Ministério do Trabalho , juntamente ao movimento feminista, realize campanhas, a curto prazo, para alertar sobre a violação dos direitos da mulher no ambiente ocupacional, por meio da criação de sites especializados em denunciar o abuso , com o objetivo de identificar os transgressores e puni-los conforme a lei. Ademais, a longo prazo, é essencial que o Ministério da Educação , em conjunto com a mídia, priorize a quebra do sistema patriarcal através da promoção de aulas e palestras , desde o ensino fundamental e médio, com a finalidade de ensinar , particulamente aos meninos, que assédio é crime, independente da área de propagação.Poder-se-á, então, que cultura do assédio será apenas uma fantasia dos contos de Clarice Lispector.