Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 25/07/2018

Inúmeras conquistas, como o direito ao voto, foram alcançadas pelo movimento feminista. Contudo, ainda há muito para ser feito visto que, segundo dados da campanha “Chega de Fiu Fiu”, 85% das mulheres já tiveram seu corpo tocado sem permissão no espaço público. Esse índice evidencia uma triste realidade na vida das mulheres: o assédio sexual. Nesse cenário, é preciso entender as verdadeiras causas desse problema para solucioná-lo.

A princípio, é possível perceber que essa questão deve-se a uma cultura machista enraizada na sociedade. Sob essa ótica, o estigma do patriarcalismo no século XIX criou uma noção de inferioridade da mulher perante o homem que se perpetua até os dias atuais. Dessa maneira, muitos indivíduos do sexo masculino sentem-se na liberdade de objetificar o corpo feminino ao ponto de praticar atitudes hostis e desrespeitosas. Como resultado, assovios, cantadas, contato físico sem permissão e o estupro passaram a fazer parte do cotidiano das mulheres.

Além disso, a banalização dessas práticas é outro fator que contribui para os casos de assédio. Nesse contexto, meninos são ensinados a reproduzir, desde a infância, ações que subjugam o sexo feminino de modo que, hoje, o machismo se tornou algo natural e intrínseco na sociedade. Por esse motivo, assovios e cantadas são muitas vezes justificados como elogios e o estupro acaba sendo visto como culpa da vítima. Consequentemente, várias mulheres não reconhecem que são vítimas do assédio e, portanto, o número de casos reportado às autoridades é baixíssimo.

Diante do exposto, fica claro que ainda há entraves para garantir a igualdade de gênero defendida pela escritora feminista Simone de Beauvoir. Para reverter esse problema, é fundamental que a escola, vinculada à família, atue de forma a romper com o legado histórico-cultural do machismo desde a infância. Isso deve ser feito por meio de um tratamento igualitário dos indivíduos, além de um ensino baseado no respeito ao próximo. Assim, o preconceito e a violência contra a mulher não serão mais vistos como algo natural. Ademais, também é válida a criação de campanhas, por organizações não governamentais (ONGs), que incentivem a denúncia de casos de assédio para que essas práticas não fiquem mais impunes. Somente assim, a sociedade irá superar os valores arcaicos que são transmitidos ao longo dos séculos.