Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 22/07/2018
No século XIX, o Romantismo transmitia, pela representação de personagens literárias, uma conduta submissão feminina que compactuava com os valores morais da época. Nos dias atuais, a escritora Chimamanda Adichie alega que o problema do gênero consiste em descrever como devemos ser, em vez de reconhecer quem somos, o que comprova um modelo arcaico enraizado na sociedade. Nesse sentido, os desafios para reduzir os casos de assédio sexual no Brasil é fruto de reflexos históricos e, para garantir o respeito e liberdade à mulher, intervenções são necessárias.
De maneira análoga, uma das causas dos assédios é a visão machista sobre a conduta feminina. Mesmo que o feminismo tenha assegurado maior autonomia política e social à mulher, o patriarcalismo ainda a subjuga pela sua vestimenta, direito de ir e vir e empoderamento. Desse modo, os ideias conservadores se sobrepõem à realidade. Assim, em 2016, a revista Veja entrevistou a esposa do presidente Michel Temer, em uma reportagem intitulada “bela, recatada e do lar”. Tal chamada unifica o papel da mulher, pois o machismo justifica que aquelas que fujam a esse padrão ao usarem roupas curtas e saírem desacompanhadas estão propícias ao abuso.
Além disso, há hoje a banalização do assédio e as redes sociais se tornaram uma ferramenta para tentar combatê-lo. Nas ruas, festas, trabalho e até dentro da própria casa as cantadas, puxadas no cabelo e as tentativas de reprimir a vítima à violência sexual são ações que se naturalizam, já que acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres. Para engajar jovens e adultas contra a sensação de impunidade, campanhas virtuais como " Meu primeiro assédio", " Me avisa quando chegar" e " Vamos juntas?" percorreram o facebook e o twitter a fim de denunciar as opressões vividas, trocar experiências e atrair a atenção da mídia e das pessoas pra conterem esse mal.
Em suma, é necessário que se reverta a mentalidade retrógrada e preconceituosa no Brasil. Para tal, o Estado deve veicular campanhas de conscientização, na TV e na internet que informem a população sobre os casos de assédio sexual no país e a necessidade de respeitá-las. Essas campanhas também podem, para facilitar a detecção e o combate ao problema, divulgar casos de descriminalização. Concomitantemente, é fundamental o papel da escola de pregar a tolerância, já que, segundo Immanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”. Portanto, a escola deve promover palestras sobre o abuso sexual, ministradas por especialistas nas áreas ou por membros que fazem parte desse grupo menosprezado pela sociedade brasileira, fim de quebrar certos tabus, preconceito e tornar os jovens mais tolerantes. Ademais, o Governo, ainda, sendo mais punitivo nas leis contra essa situação garantirá o reconhecimento da liberdade feminina, como anseia Chimamanda.