Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 24/07/2018

“Quem comete assédio tem que ser punido”. A frase é de Markelly Oliveira, atriz e modelo, enfatizando a necessidade do combate aos abusos físicos e morais. De fato, a sociedade atual, machista e patriarcalista, está marcada por uma cultura de submissão da mulher, que constantemente sofre com perseguições. Nesse sentido, algo deve ser feito para eliminar esse esteriótipo, visto que, para isso, existe uma série de obstáculos a serem vencidos.

Primeiramente, e válido perceber que, se o assédio é uma cultura, quer dizer que já está enraizado. E isso é facilmente comprovado através de dados do Governo Federal, revelando que 99,6% das mulher já foram assediadas em algum momento de suas vidas. O pior é que atitudes como assovios, olhares insistentes e comentários de cunho sexual já estão naturalizados na sociedade, e as pessoas fazem como se não fosse nada. E na verdade não é, ainda pelo fato de as próprias vítimas se calarem diante da situação, seja por medo, ou por simplesmente se acharem inferiores. Ademais, existe uma falta de incentivo às denúncias, a qual é primordial para a redução dos casos. Dessa forma, a falta de debates acerca do assunto, empodera a propagação de comportamentos desrespeitosos, que na maioria das vezes são oriundos do gênero masculino.

Em decorrência disso, o machismo e a objetivação do sexo feminino apresenta-se como um dos maiores desafios a serem resolvidos. Obras como “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freire, representam claramente que a figura da mulher submissa ao homem não é algo recente na história do país: ainda no período colonial, a relação do senhor com suas escravas era totalmente sexualizada, sendo utilizadas apenas como objeto de desejo. Nesse contexto, nota-se que durante séculos a mulher é inferiorizada, e isso é um grande motivo para a cultura de assédio presente na sociedade atual. Assim, além de entender as causas, percebe-se uma certa urgência em medidas que possam minimizar os casos existentes e alterar a imagem da mulher.

Logo, é evidente que, uma série de questões precisam ser consideradas para que haja uma redução nos casos de assédio. Nesse sentido, cabe ao Estado a elaboração de leis mais rigorosas para punir os assediadores, um maior investimento na segurança pública , principalmente em favor das mulheres,  a fim de diminuir os números de estupros e outras agressões físicas. A mídia, em seu papel conscientizador pode incentivar e encorajar as vítimas a denunciarem qualquer tipo de agressão. É inevitável, ainda, que as famílias, as escolas e a própria sociedade trabalhem em conjunto, difundindo valores, e quebrando esteriótipos, com o propósito de romper com o machismo e o patriarcalismo presente nos dias de hoje.