Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 02/08/2018
A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como um de seus objetivos fundamentais assegurar a dignidade da pessoa humana de todos os indivíduos. Entretanto, hodiernamente, a problemática relacionada aos crescentes casos de assédio sexual no país, haja vista uma sociedade machista, bem como a tímida exposição desses casos revelam que muitos indivíduos, notadamente as mulheres, não experimentam esse direito na prática. Nesse viés, convém analisar as vertentes que englobam essa inadmissível realidade.
Em primeiro plano, é indubitável que a sociedade patriarcal e conservadora torna-se um campo fértil para ações desmedidas contra as mulheres. Isso porque, conforme a teoria do “Habitus”, proposta pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz ideais preconizados a sua realidade. De fato, a consciência coletiva de séculos anteriores de que a mulher deve ser subordinada ao homem, tendo um nítido papel sexual e sendo submetida a um segundo plano ainda é evidenciado em diversos segmentos da sociedade, tornando-se cristalino abusos às mulheres, por exemplo, em seu ambiente de trabalho, seja diretamente por meio de violações, seja de maneira implícita, por meio de comentários pejorativos, piadas ou gestos obscenos.
Outrossim, vale ressaltar também que a relativa intimidação e o medo de se expor não favorece a eliminação da problemática. Nesse contexto, as vítimas, muitas vezes, não divulgam tais experiências indesejáveis por receio de serem prejudicadas no ambiente profissional ou de sofrerem retaliações, o que, de fato, ajuda a manter o meio social nocivo ao feminino, podendo resultar em consequências psicológicas futuras, a exemplo, traumas e a dificuldade de relacionar-se com outros indivíduos. À vista de tal preceito, a não exposição de tais casos vai de encontro ao combate do problema.
Logo, o empecilho relacionado ao assédio sexual no Brasil revela-se como uma chaga social que demanda imediata resolução, na medida em que fere com o Estado Democrático de Direito e viola a dignidade humana. Para que se reverta esse cenário problemático, portanto, cabe ao Ministério da Educação implementar na base curricular do Ensino Médio, em disciplinas paralelas, por meio de debates e diálogos mediados pelos próprios professores, a temática do assédio, a fim de estimular a análise crítica do aluno. É imprescindível, ainda, a atuação de outras instituições formadoras de opinião, como os meios comunicativos (programas de televisão e jornais) por intermédio de reportagens e propagandas em horário nobre, a discussão a respeito da conjuntura que envolve o assédio sexual, objetivando uma mudança de comportamento da população. Assim, poder-se-á transformar o Brasil desenvolvido socialmente, num contexto em que as mulheres deixem de ter a sua dignidade fragilizada.